sábado, 8 de setembro de 2012

... Cecília Moreira


Cecília tem 23 anos e faz autênticos milagres como Terapeuta de Medicina Tradicional  Chinesa.
Hoje, convidei-a a vir comigo até um jardim de bonsais, com Enya como banda sonora, para uma conversa feliz e bem tranquila…
Falámos dos seus sonhos e de uma medicina que começa, agora, a ser muito procurada pela maioria dos portugueses.
Esta conversa é um Expresso do Oriente, um chá verde, um livro que apetece experimentar.
Venham comigo e sejam felizes!






O Mandarim é um romance de Eça de Queiroz, um pássaro, mas também o Espaço onde deu asas ao seu sonho como Terapeuta de Medicina Tradicional Chinesa… que tipo de terapias podemos encontrar neste oásis da Rua 5 de Outubro, em Ermesinde?
Para além da Medicina Tradicional Chinesa que engloba várias terapias como a Acupunctura, a Auriculoterapia, a Reflexologia e a Massagem Terapêutica, podem também usufruir de Massagem de Relaxamento, Massagem com Pindas, e Programas Anti-celulite e Emagrecimento.
 A Cecília tem 23 anos de idade, mas um conhecimento e umas mãos de uma pessoa mais “velha” (sendo que, “velhice” não significa experiência)…. Como foi o seu percurso até aqui? Sempre foi este o seu sonho? O que é que a move nesta profissão?
Considero o meu percurso até aqui um caminho de crescimento e evolução tanto a nível pessoal como profissional. Fiz a formação de Medicina Tradicional Chinesa no Instituto Português de Naturologia no Pólo do Porto, e ainda no segundo ano do Curso comecei a trabalhar com o Professor José Malta, por convite do mesmo, na empresa Voz do Silêncio e sem dúvida que foi nesta última que apreendi e consolidei todos os conhecimentos que hoje me permitem exercer a minha profissão com maior competência e confiança. O meu sonho sempre foi "Ser Médica" mas depois do ensino secundário acabei por enveredar pela Medicina Natural, a partir dai o meu sonho sempre foi conseguir criar o meu próprio Espaço de Terapias, embora nunca pensasse que o conseguiria tão cedo. O que me move nesta profissão é a arte da acupunctura, da massagem, de saber ouvir, de conseguir aconselhar e de poder orientar as pessoas de modo a elas conseguirem percorrer melhor os seus caminhos, é a filosofia oriental com a sua simplicidade de ver e explicar o mundo, é poder contactar com as pessoas, aprender e ensinar e assim evoluir, é Ser Eu a fazer o que Amo.

Sendo que, nos tempos que correm, a maioria das pessoas está sujeita a grandes pressões, que provocam ansiedade, stress e, por acréscimo…. dores no corpo que se podem reflectir de diversas formas…  De que é que os seus clientes/pacientes se queixam mais? Como é que os trata?
As queixas variam muito, pois cada pessoa tem a sua maneira de gerir o que lhe acontece, no entanto o que costuma ser mais comum são dores de costas, nomeadamente na cervical e na lombar. Desta forma oque costumo fazer mais são sessões de Medicina Tradicional Chinesa, pois estas implicam o diagnóstico, a acupunctura, a massagem terapêutica, a auriculoterapia, a reflexologia e por vezes até o toque terapêutico, ou seja é um conjunto de terapias na mesma sessão que visam restabelecer o equilíbrio geral do organismo tratando tanto a rama do problema (os sintomas) como a raiz (a causa). Isto porque, por exemplo, uma dor lombar pode ter o mais diverso tipo de causas desde a postura até ao medo que é a emoção associada a esta área do corpo. Desta forma ao fazer o tratamento o objectivo é aliviar a dor mas também tentar combater a causa do problema para que a dor não regresse.
A Medicina Tradicional Chinesa é muito antiga…. Começou a ouvir-se falar da mesma, em Portugal, através do Professor Choy há uns anos atrás e, agora, são muitas as pessoas que recorrem a esta medicina como complementar à tradicional ( e não alternativa)… porque acha que isso acontece?
Acho que tal acontece exactamente porque na Medicina Tradicional Chinesa o organismo é visto como um todo, de forma holistica, é dada atenção a tudo o que a pessoa refere, desde os sintomas aos hábitos de vida que podem estar a prejudicar o bem estar, ou seja há um contacto directo com as pessoas e com o que elas sentem, existe tempo para as pessoas falarem. Não se associa os doentes a uma determinada doença, alias no oriente diz-se que "não existem doenças, mas sim doentes", ou seja o que interessa é o que cada individuo em particular refere. Para além disso a Medicina Tradicional Chinesa apesar de actuar mais na prevenção, também consegue actuar em
fases agudas de dor sem o recurso a medicação, não sujeitando assim o organismo a efeitos secundários.
Faz sentido esta medicina ser praticada e reconhecida nos nossos hospitais, como terapia complementar à medicina ocidental? Se sim, porquê…
Sem dúvida que sim!! Tal como já referi, a Medicina Tradicional Chinesa tem como principal objectivo a prevenção, mas também tem efeitos fantásticos no alivio da dor e no relaxamento físico e mental. Por exemplo, em pessoas cujos exames médicos indicam uma probabilidade para sofrer de determinada doença, a Medicina Tradicional Chinesa pode actuar na base da prevenção para manter o organismo equilibrado de modo a que a doença fique sem meios de se desenvolver, e em casos agudos de dor em que a doença já se encontre instalada também é possível aliviar os sintomas bem como ajudar a manter uma boa qualidade de vida. Apesar dos modos de actuação da Medicina Tradicional Chinesa e da Medicina Ocidental serem muito diferentes ambas são necessárias e funcionam bem quando complementares uma à outra.
O que a faz acreditar numa ciência tão antiga?
Não considero uma ciência mas sim uma arte milenar! E o que me faz acreditar nesta arte são os resultados obtidos após a sua aplicação.
Algum paciente que a tenha marcado em particular, pela evolução na recuperação? Pode dar-nos um exemplo que ilustre os benefícios destas práticas?
Sim, todos os pacientes deixam a sua marca e é engraçado como acaba por existir uma troca de conhecimentos durante as sessões, pois cada pessoa tem a sua experiência de vida  e acaba por referir episódios que nos ensinam bastante, no entanto de facto houve um que me marcou de uma forma especial, talvez por o ter acompanhado durante cerca de3 anos em tratamentos duas vezes por semana, trata-se de uma vitima de acidente de viação que ficou politraumatizada e cuja evolução foi simplesmente fantástica. Por exemplo, começou a mover membros que se encontravam paralisados, começou a responder a estímulos audiovisuais e a ganhar sensibilidade às agulhas de acupunctura oque indica o aumento de receptividade dos nervos sensitivos apesar da paralisia. Penso que de facto este é um bom exemplo dos benefícios destas práticas pois principalmente com a acupunctura e a massagem conseguem-se estimular pontos que induzem a recuperação geral do organismo.
O que é que o Mandarim tem que não se encontra nos outros Espaços?
A atenção e a dedicação prestada a cada paciente. Normalmente cada sessão de Medicina Tradicional Chinesa tem a duração de cerca de90 minutos, pois além de ser necessário aplicar todas as técnicas já referidas a pessoa tem de ter tempo para ser ouvida e ser tratada da forma mais harmoniosa possível.
Hoje em dia, há muitas pessoas com os chamados “cursos tirados a martelo” em auriculoterapia, reflexologia… que produzem mais estragos nos pacientes do que benefícios. Que conselhos daria a alguém que procura outro alguém credível para tratamentos, por exemplo, de acupunctura?
Procurem terapeutas que tenham formação credível, qualquer curso de Acupunctura deve de ter a duração no mínimo de 2 anos. Se for de Medicina Tradicional Chinesa deve de ter a duração no mínimo de 4anos. Se tiverem duvidas, exijam ver o certificado de formação.

Nos seus tratamentos fala muito dos meridianos do corpo, da relação do Yin/ yang, da energia…. Como pode explicar estes conceitos às pessoas? Por exemplo, uma pessoa com dores na lombar, muitas das vezes não tem problemas na lombar mas sim no “fígado”, porque é o seu lado emocional que não está estável e lhe provoca dores naquela zona do corpo… quer explicar-nos um bocadinho como é que tudo isto funciona?

Sim! Parece complicado, mas na verdade é simples. Seguindo o seu exemplo, as emoções tem sempre uma maneira de se manifestar, existem pessoas que exteriorizam o que sentem e outras que interiorizam. As que exteriorizam podem até por vezes ser chamadas de "mal educadas", mas não ficam doentes com tanta facilidade, porque libertaram essa energia emocional… as que interiorizam fazem com que essa energia as vá "corroendo" e acabam por ficar doentes. Na Medicina Tradicional Chinesa a cada órgão é associada uma emoção, a emoção associada ao Fígado é a Raiva, a Ira, se essa raiva não for exteriorizada vai-se manifestar no nosso corpo de alguma forma, ou com dores de cabeça, ou com tensão muscular, etc, depende do organismo de cada um... Ao fazer o tratamento além de aliviar as dores é preciso também alertar a pessoa para o que provocou aquelas dores e fazê-la entender que o modo como está a lidar com determinados processos na vida dela não está a ser o mais correcto para que tenha saúde e bem-estar.

A alimentação correcta é muito importante para os chineses e faz parte da sua medicina. Que conselhos poderia deixar a quem nos lê?
O principal conselho é ter uma alimentação variada, comendo pouco e várias vezes ao dia. É também importante recorrer a suplementos alimentares para suprir algumas carências nutricionais da alimentação diária, como é o caso, por exemplo, das bagas de goji.

Utiliza a fitoterapia nos seus tratamentos?
Sim, em alguns casos tenho de aconselhar fitoterapia.

Uma massagem mal-feita provoca mais distúrbios do que não fazer massagem nenhuma? Se sim, porquê.
Sim, é verdade, porque dependendo do problema a massagem deve ser efectuada tendo em conta a anatomia muscular (miologia), a circulação, o trajecto dos meridianos... Portanto, em caso de dúvida, quando não se sabe qual a melhor massagem a aplicar para determinada situação é preferível não fazer e procurar um terapeuta qualificado.

Se alguém tiver curiosidade/necessidade de marcar uma consulta com a Cecília, como o poderá fazer?
Poderá pedir informações e/ou efectuar marcação através do contacto telefónico: 917975164 ou através do e.mail:geral.mandarim@gmail.com
O que a faz SER feliz?
O que me faz ser feliz é sem dúvida fazer aquilo que Amo, estar com quem Amo e ter sempre uma atitude positiva perante tudo o que me acontece na vida! Nada é por acaso! ;)
Cecília, muito obrigada!
Sabe que é um prazer tê-la como amiga e como terapeuta e que lhe desejo toda a sorte e paz do mundo!
Continue a ser assim: íntegra, inteira, com brio profissional, apaixonada pelo que faz e, acima de tudo…feliz!
Até à próxima conversa…. J




segunda-feira, 3 de setembro de 2012

... Marco Rodrigues



Hoje, a minha conversa tem como pano de fundo o Rio Tejo, uma Lisboa cheia de luz e um Fado vivo na companhia de uma guitarra e de Marco Rodrigues.

Retenham bem este nome, ouçam a voz e as letras e sintam as guitarras… esta conversa é apenas uma amostra do que Marco Rodrigues tem feito pelo Fado.

A prova de que sempre que colocamos paixão no que fazemos, o resultado só pode ser um forte aplauso da plateia…



Foto de Carlos Mateus de Lima




Nasce em Amarante, vive em Arcos de Valdevez…como se chega a Lisboa e se fica (agora, no coração do Bairro Alto com a Adega Machado)? Como surge Lisboa na sua vida com um amor tão grande?

Surge de forma muito natural. Fui descobrindo Lisboa a partir da adolescência. Nessa fase da nossa vida estamos sempre à descoberta de novas sensações e experiências e, para alguém que acabava de chegar do norte do país, a capital foi desde logo um deslumbramento.

“Simplesmente aconteceu” ser fadista? Como nasce o Marco Rodrigues-fadista e que influências tem e de onde? Da casa de Amália? Dos bairros lisboetas?

Eu já cantava desde muito pequeno. Cantar fado aconteceu muito por culpa da minha mãe que me inscreveu na Grande Noite do Fado, em 1999. O fado foi entrando na minha vida a partir do momento que venci essa Grande Noite do Fado e poucos meses depois comecei a cantar no Café Luso, no Bairro Alto.

Em 2006, lança o 1.º álbum, “Fados da tristeza alegre”… são fados contraditórios? A tristeza pode ser alegre, Marco?

Um dos temas chave de Fados da Tristeza Alegre é o tema Canto da Tristeza Alegre (letra de António Lobo Antunes) que deu o mote para o nome do álbum composto por fados tradicionais, musicados e canções.
Há de facto situações em que a tristeza nos invade a alma. Isso é essencial para vivermos em pleno a alegria e a felicidade e tudo isto pode acontecer num mesmo momento ou situação. Reconhecemos a felicidade exatamente porque também vivemos momentos tristes.

Em 2010, chega o segundo álbum, com compositores e letristas “de peso” (Boss AC, Inês Pedrosa, Tiago Torres da Silva…), incluindo o próprio Marco… onde assina a composição de um fado intitulado “Onde vou”….Onde pretende ir o Marco Rodrigues?

A vontade de criar, compor, gravar discos e a levar a minha música às pessoas é enorme e quero, por isso, continuar a fazer aquilo por que sou apaixonado.

Este segundo álbum de “Tantas Lisboas”, o que pretende retratar? Os diversos azulejos e luzes da capital?

Este álbum é assumidamente uma homenagem a Lisboa e procurei espelhar em muitos dos temas a paixão que tenho pela cidade, pela luz, pelos lugares, pelas pessoas… como acontece em temas como Tantas Lisboas e O Homem do Saldanha, este último uma justíssima homenagem ao Senhor João Serra, uma personagem da Lisboa dos nossos dias.

Passou, literalmente, “um ano na estrada”… o que se aprende? Onde se colocam as saudades de casa? Há tempo para compor, nos intervalos?

É muito gratificante poder percorrer o país e estrangeiro fazendo o que nos dá mais prazer. Em cada local contactamos com novas pessoas, com outros costumes e culturas e conhecem-se sítios fantásticos. E isto é muito enriquecedor para mim, enquanto cantor, músico e compositor.
Fazemos da equipa (músicos e técnicos) a nossa família e criam-se laços muito fortes que ajudam a superar as saudades de casa.
Há sempre tempo para compor… por vezes surge, de repente, uma melodia que não me sai da cabeça, em qualquer local, e a partir daí começo a compor.

Como é a relação com o público nestas digressões? Vai do plateau aos bastidores?

É sempre muito bom receber o carinho e o reconhecimento do público e gosto particularmente de falar com as pessoas no final dos concertos. Atualmente, sobretudo devido às redes sociais, este contacto acontece, por vezes, mesmo antes dos concertos ao vivo. É muito frequente receber mensagens e comentários na minha página no Facebook e procuro responder sempre a todos. É muito interessante ver esta proximidade virtual tornar-se real quando (re)conheço nos concertos os fãs e amigos que vão deixando comentários muito carinhosos na página.

No passado dia 26 de Maio, fez a primeira parte do concerto da Maria Gadú, no Porto… o seu nome não é muito conhecido na Invicta, mas o Coliseu aplaudi-o em pé…. Para quando, um concerto exclusivo, no Porto?

O concerto no Porto acontecerá logo que surja o convite e estejam reunidas todas as condições para apresentar a minha música. Será um prazer estar no Porto, uma cidade com um público tão caloroso e que sabe receber tão bem um artista. Foi isso que testemunhei no concerto no Coliseu, quer na minha atuação quer durante o concerto da Maria Gadú.

“O fado do estudante” deixou o Coliseu do Porto ao rubro… sabe bem interpretar temas como estes, que nos transportam para figuras imortais como Vasco Santana?

O Fado do Estudante tem efetivamente uma melodia muito rica que nos provoca imediatamente um sorriso. É também um dos temas que todos reconhecemos dos clássicos filmes do cinema português, no caso A Canção de Lisboa, com o célebre Vasco Santana.
Aconteceu no Coliseu do Porto, e acontece em todos os concertos… as pessoas cantam, vibram e sorriem quando canto o Fado do Estudante. O que prova mais uma vez que o fado não é apenas uma música triste e melancólica.

Onde se sente mais “em casa”? Em Amarante, Arcos de Valdevez ou Lisboa? Ou… não importa o lugar, basta ter uma guitarra por perto?
Qualquer que seja o lugar, terá que ter sempre uma viola ou uma guitarra por perto. A música (e não só o fado) faz-me sentir bem independentemente do local onde estou. Amarante, Arcos de Valdez e Lisboa são locais igualmente importantes na minha vida porque as minhas memórias, recordações e vivências passam naturalmente por estes lugares.

No passado dia 11 de Julho foi agraciado com a medalha de mérito cultural pela Câmara Municipal de Arcos de Valdevez… foi um local que o viu crescer… este gesto deixou-o, de alguma forma, sensibilizado? Não foi só “mais um prémio”, pois não, Marco?

Receber esta medalha foi uma grande honra. Desde logo porque é muito bom sermos reconhecidos pelo nosso trabalho e sinto uma imensa realização e uma forte convicção de que escolhi o trilho certo. Depois porque vivi quase toda a infância em Arcos de Valdevez. Quando soube que o meu nome tinha sido indicado pelo Presidente da Câmara de Arcos de Valdevez para a atribuição da medalha de mérito cultural fiquei, claro, muito feliz e honrado. Esta medalha é também de todos aqueles que têm acompanhado o meu trabalho.

Há quem lhe chame “uma voz do novo Fado ou da nova geração”…gosta deste “rótulo”? Existe um novo Fado? De facto, existem nomes como Ana Moura, Mafalda Arnauth, Raquel Tavares, entre tantos outros… que vestiram o fado de uma outra forma. A minha geração não gostava de Fado e passou a gostar…

A música que ouvimos e o tempo e espaço onde vivemos influenciam diretamente a música que fazemos logo, naturalmente, todas as músicas do mundo vão sofrendo alterações com as novas gerações que vão aparecendo e o fado não é exceção. É importante sim conhecer muito bem as bases para poder depois construir sobre elas. Não é necessário que fiquemos presos a demasiadas regras. A própria Amália Rodrigues foi isso que fez. Julgo que não há um novo fado… há o fado que todos nós fadistas, junto com os músicos que nos acompanham, fazemos hoje.

Acha que o Fado está na moda?

O facto de hoje emergir uma novíssima geração de fadistas, músicos e inclusive letristas, ainda muitos novos, vem contrariar a ideia que o fado está na moda… o fado está, sim, vivo.

Já mencionou, em entrevistas anteriores, que “vou deixando que outras influências musicais interfiram na minha criação”… que influências são essas?

A música que ouço, as pessoas com que me relaciono, os espaços e locais que tenho à minha volta, as viagens, a moda, a arte, as experiências diárias que vivo… enfim, tudo nos influencia e influencia também a nossa música, e isso acontece com qualquer músico no mundo.

Tem noção que as suas interpretações, a sua projeção vocal, a sua entrega ao que faz mexe com a alma da gente? Toda a gente sente um “incómodo bom”… o prazer de ouvir alguém a cantar com o coração…

O fadista tem que saber interpretar todo o sentimento do fado para que sinta profundamente cada palavra cantada. A própria música tem uma intensidade tal que, aliada à criatividade e à verdade do fadista, ao ser cantada em Madrid, Nova Iorque, ou em qualquer outro local do mundo, faz com que o público se sinta como se sentiria se estivesse em um qualquer bairro de Lisboa e, assim, entenda o fado tal como ele é. Se é isto que as minhas interpretações despertam no público fico muito feliz.

Sempre quis ser fadista ou nem sequer estava nos seus planos?

Quando entrei numa casa de fados pela primeira vez fiquei completamente apaixonado… percebi que, para além de uma música intensa, melodicamente muito rica e acompanhada pela guitarra portuguesa - um instrumento único que preenche a respiração do intérprete - existe um misticismo que abraça tudo isto e faz com que o Fado seja uma música distinta. Acredito que não fui eu que decidi ser fadista mas sim que fui escolhido.

Gosta de cantar em dueto? Porquê?

Em primeiro lugar gosto de cantar. Cantar em dueto é um prolongamento desta paixão. A partilha musical e cultural é muito enriquecedora e uma mais-valia para um intérprete.
Eu e o Tiago Machado, o produtor do Tantas Lisboas, pensámos nos duetos desse disco, de forma muito natural, à medida que íamos trabalhando os temas O Homem do Saldanha (dueto com Carlos do Carmo, música de Tiago Machado, letra de Boss AC) e Valsa das Paixões (dueto com Mafalda Arnauth, música de Tiago Machado, letra de Tiago Torres da Silva).
Carlos do Carmo, é uma das minhas maiores referências e cantou já algumas figuras da cidade de Lisboa. Mafalda Arnauth é uma amiga de longa data, com o timbre indicado para um tema principesco que nos remete para um baile num salão de um imponente castelo.
O dueto com Maria Gadú surgiu também de forma natural. Conheci a Maria em 2010 e, desde então, tornámo-nos bons amigos. Conhecemo-nos quando a Maria Gadú procura uma casa de fados em Lisboa e vai ao Café Luso. Depois disso encontrámo-nos mais algumas vezes e num desses reencontros surgiu o convite da Maria que me deixou muito feliz. Foi um privilégio poder cantar A Valsa, no CD Mais uma Página.

Para quando um novo projeto musical?

Há já alguns meses que venho trabalhando para um novo disco, com a recolha de poemas, de composições etc. mas não há ainda uma data definida para a edição de um novo trabalho. Aproveito para fazer um convite a todos… será um prazer receber-vos na minha página no Facebook. Por lá vou partilhando momentos, fotografias, datas dos concertos, vídeos e as novidades que forem surgindo.

O Fado está muito ligado a sentimentos bem profundos e portugueses… a saudade…a nostalgia… é um homem feliz?

Sim, enquanto houver música J

O que o faz SER feliz?

A música, as pessoas e o facto de o público gostar da música que faço. J

Marco, muito obrigada…. Foi um prazer imenso estar ao lado de uma das vozes que mais me marca e enche a alma… Desejo-lhe todos os sucessos e espero que nos possamos cruzar, quiçá, na Adega Machado, ou no Coliseu do Porto, muito em breve.

E agora, meus amigos, Silêncio, que se vai cantar o Fado….


"Ausência"

 
"O Homem do Saldanha" com Carlos do Carmo



"Valsa das Paixões" com Mafalda Arnauth....é que, dá mesmo vontade de entrar no embalo e dançar....

 
 
"A Valsa" com Maria Gadú


 
"Fado do Estudante"

 

 
Próximos concertos de Marco Rodrigues:

- Cascais | 22 setembro, Espaço Confluência, 22 h

- Almada | 12 outubro, Teatro Municipal, 21h30






segunda-feira, 13 de agosto de 2012

... Teresa Radamanto


Hoje, a minha convidada, e amiga, é detentora de uma voz diáfana, límpida, protectora, meiga e com energia para projectar as notas mais agudas e improváveis.
Nazarena com muito orgulho, foi no “Chuva de Estrelas”, a imitar Barbra Streisand, que surpreendeu e ficou na imagem e no ouvido do público mais atento.
Hoje, a minha conversa é numa “Caixa de Sonhos”, com uma mulher tão bonita por dentro como por fora....convosco: Teresa Radamanto....

“Sei de um lugar onde só eu vou quando quero ficar nesse outro mundo a sonhar” in “Caixa de Sonhos” Que lugar é este Teresinha? …Deixa-me dizer-te que, este teu cd não poderia ter um melhor nome… “Caixa de sonhos”…dá vontade de subir ao sótão e ficar sentada à janela, a ouvir todas as sonoridades….

Sabes Inês, à medida que vamos crescendo,  vamos  também percebendo que afinal  o mundo que nos  rodeia não tem as mesmas cores que os nossos olhos de criança viam tão entusiasticamente ! As cores que irradiavam pureza, verdade , felicidade, foram  perdendo o brilho , ficando tristes, opacas...cinzentas! A capacidade de sonhar desvanece e a magia desaparece....é neste momento que surge a vontade em cada um de nós de voltar atrás,  de ser como o Peter Pan, e nunca crescer! Então, criamos dentro de nós uma "terra do nunca", onde sonhar é sempre permitido e a imaginação é a derradeira fronteira! Esse lugar é  o que te faz sorrir, brincar, cantar, sonhar...e claro , acreditar que ainda vale a pena...Esse lugar está dentro de mim, de ti, de todos nós!

Ao contrário de muitos cantores, em que a música lhes surge na vida “por acaso”…tu sempre soubeste que este era o teu caminho e começaste muito cedo… esta tua vontade de cantar é inata ou alguém te influenciou de forma marcante para que dissesses “quero ser como aquela pessoa”?

A faceta artística foi desde muito cedo  um traço dominante da minha personalidade! Aos 6 anos sonhava ser maestrina!A vocação para o canto foi mais tardia, porém, cedissímo, tinha apenas 15 anos quando comecei, aos 16 já o fazia profissionalmente. A minha educação musical foi sempre muito eclética. Felizmente, tive acesso a um acervo musical culturalmente rico e vasto, e isso foi sem dúvida , uma das minhas grandes influências. Nunca tive ídolos.Nunca sonhei ser igual a ninguém. Sempre desejei deixar a minha marca, contribuir! Sempre desejei ser diferente, especial. No entanto, o caminho nem sempre foi fácil de percorrer...por vezes achamos que saber o caminho é suficiente, mas não é ! É preciso saber caminhá-lo . A expressão" um  caminho sinuoso e acidentado" é literal . Todas as areas profissonais oferecem dificuldades e desafios, mas neste meio tudo é mais dificil, mais sofrido. E é por tudo isso que a perrogativa  tem de ser a originalidade, a diferença, caso contrário, não seremos bem sucedidos...e é por isso também que ainda continuo a lutar,a procurar...

O teu curriculum é muito vasto, embora o que seja mais visível para o publico em geral, sejam as tuas participações no “Chuvade Estrelas”, no “Dança Comigo”, em “A melhor canção de sempre”, “Dança comigo no Gelo”, “Festival RTP da canção”….são inúmeras as tuas participações em programas televisivos…e são as que te deram, certamente, mais visibilidade…eu lembro-me perfeitamente de estar sentada no meu quarto, a preparar uma surpresapara uma amiga, e tu começaste a cantar “Woman in love”, da Barbra Streisand,no Chuva de Estrelas… eu parei de fazer o que estava a fazer e tudo parou à minha volta… De que forma é que estes programas contribuíram para o teu amadurecimento como cantora? Voltavas a repetir a participação em todos eles?

Iniciei o meu percurso mediático muito cedo. Felizmente , há 17 anos atrás, as coisas eram um pouco diferentes, e não existia a " histeria" actual em volta deste género televisivo, nem tão pouco a produção em "massa" de artistas, cantores, performers de hoje em dia. Foram experiências excepcionais , as que tive no formato "concurso", mas não voltaria a fazê-lo.  As restantes, foram igualmente excepcionais, mas a outro nível. Foram experiências profissionais, e como tal, o sentimento envolvente é outro. Todavia, todas foram adrenalina pura! Aliás pisar "o Palco", será sempre adrenalina pura! Obviamente que tudo serviu para o meu crescimento como cantora e acima de tudo , como pessoa!


No “Chuva de Estrelas” como Barbra Streisand…

Que cuidados tens com a voz?

Nada em especial! Não bebo álcool (por norma), ( já) não fumo...não tomo café...e depois não bebo bebidas com gás, muito frias...não como alimentos com niveis de acidez altos...enfim...cuido da saúde num todo! Bebo muito água para estar sempre hidratada....e tento não andar"aos gritos"!!! Todas as semanas exercito o aparelho vocal durante uma horas...caso não tenha nada agendado! Quando estou a trabalhar consecutivamente, não faço nada...o trabalho é suficiente!!
( bem, afinal faço alguma coisa...(risos)...).


Preferes cantar em português ou achas que,apesar de ser a nossa língua, se torna redutor, porque o inglês é mais internacional e pode trazer mais projecção aos trabalhos que são realizados?

Prefiro cantar.... a musica e a alma na voz de um interprete são universais...e é nisso que acredito! Gosto de cantar em vários idiomas...em todos eles me entrego e dou o melhor de mim. Se falarmos a nível de projecto vendável no nosso mercado, talvez tenhamos que dar prioridade ao PT, no entanto, cada vez mais a diferença faz parte do nosso panorama, e os tábus estão a desaparecer, por isso , creio que hoje em dia já existe mais abertura para coisas novas, sendo uma delas a escolha do idioma em que queremos expressar as nossas ideias e sentimentos. Tirando alguns “nichos elististas” a musica segue a tendência mundial de globalização. Mas a tua questão já contem a resposta!! ( risos).

Neste momento, pode dizer-se que vives da música…tens uma Empresa “Canções do Mundo”… que canções são estas e até onde é que elas te levam? É um projecto que, não é a solo…tens a tua irmã contigo…como é que tu geres esta empresa? Como é que as pessoas te contactam e até onde é que esteprojecto te levou?...

“Canções do Mundo” surge de uma união antiga entre 5 amigos/colegas de “cantorias”. Todos nós começamos a nossa viagem musical no mesmo local, na Nazaré, de onde somos. Em 2009, decidi arrancar com um projecto desejado há algum tempo: a criação de uma empresa de eventos, e assim surge Teresa RadamantoProduçõe ,lda. Esta empresa, precisava de um produto vendável para por em prática o propósito da empresa- animação musical de eventos. Assim nasce “Canções do Mundo”, um ensamble vocal de 5 vozes ( hoje apenas 4 ), constituido por colegas, que são acima de tudo amigos de uma vida! Aliás , como referes a minha irmã é um dos elementos , assim como o meu companheiro. Este ano Teresaradamantoproduções cessou actividade, mas Canções do Mundo , continuam a trabalhar dentro do mesmo formato. Nada mudou, na realidade...apenas deixou de existir a logistica empresarial. Este projecto , cumpriu os objectivos propostos, todavia, hoje em dia , está, como tantos outros, mais “paradinho”....a malfadada crise....( risos)


Tu foste galardoada mais do que uma vez com o prémio Guilhim…que prémio é este e que importância teve para ti e para a tua carreira.

Sim,  o “Guilhim de Cristal”. É um galardão de reconhecimento, pelos sucessos alcançados ao longo do ano, na carreira do nomeado. É uma espécie de “globo d’ouro”. Foi –me atribuído algumas vezes ao longo de uma década de trabalho, sempre  dentro da categoria musical.Estas distinções são sempre importantes para nós , são motivo de orgulho e reconhecimento perante os “pares”, os fãs e público em geral.

Também deste voz a temas de telenovelasnacionais e internacionais. Esse trabalho não é tão visível para o público…queres falar um bocadinho nestes projectos, que são um pouco diferentes de todos os outros em que participaste?

Entre 2003 e 2004 trabalhei em parceria com a Editora Som livre, e um dos seus produtores na altura, o Rodrigo Leal, nesses projectos. Por norma, quando estamos associados a um estúdio, ou produtor, acabamos por realizar trabalhosque são requisitados aos mesmos, por estarmos dentro do “portfólio” dos profisionais disponiveis, por assim dizer, e pelas características que possuímos. Fui requisitada para esses trabalhos por ter as caracteristicas que o cliente necessitava. Na altura a Som livre trabalhava em parceria com Rede Globo nas bandas sonoras de novela, daqui até ao Brasil foi um saltinho!No caso das novelas nacionais, o processo foi o mesmo, genéricos, temas de personagens, enfim, todo o universo de trilha sonora de novela.Em 2001, quando estava na Banda pop Dance Faces, já tinha tido a experiência de participar em bandas sonoras, com um tema nosso. Foi relativamente fácil voltar a  repetir o processo.  

Em 2010, tiveste oportunidade de, no Festival daCanção, homenageares a doce Rosa Lobato Faria com “Antes do Adeus” e “Chamar amúsica”…. Sendo tu uma mulher da área de Letras ( licenciada em Língua eCultura Portuguesa   ), como é que te sentiste ao homenagear uma pessoa que escreveu tantos temas para festivais?Chegaste a conhecê-la, em vida?

Primeiramente senti uma grande tristeza pela sua partida.... não a conheci, mas conheço a  Mafalda, sua neta, conheci-a em 1998, na minha 1ª participação no festival da canção,e lembro me bem que o tema que interpretei não lhe foi indiferente, e foi elogiado inclusivé( partilhou comigo a Mafalda), até porque o compositor do meu tema” Só o mar ficou”, o João Mota Oliveira, fez em parceria com ela, o tema vencedor  anos antes, “Chamar a Música”.Como deves imaginar, por tudo isto senti-me imensamente emocionada; porém feliz por ter tido a honra de poder celebrar o seu talento.


Volta a falar-me da tua “Caixa de Sonhos”…. Sintoque foi um projecto muito teu e não um cd para agradar a toda a gente… como éque as pessoas aderiram a este teu álbum? Sentiste-te realizada só pelo factode o teres gravado?

(risos) Sim, tens razão...não foi de todo para agradar a toda a gente...não tinha cariz comercial, nem era esse o seu propósito...aliás, nada do que fiz a solo, teve esse propósito  ...talvez essa seja uma das razões para a minha carreira não ter seguido outros destinos mais longinquos...no entanto, foi algo que no momento fez todo o sentido!



No meio de uma imensidão de sonhos e acontecimentos tornados realidade, que projectos  para o futuro…

Projectos....temos sempre tantos...a nível profissional....sonhos , ideias e ideais ao rubro...não sei bem, ainda, tenho alguns objectivos a alcançar musicalmente, neste momento estou inclinada para a composição; estou em processo criativo...se correr bem, talvez para o ano produza o meu próprio trabalho, “edição de autor” é o caminho....a nível pessoal estou a “braços” com o melhor  e maior projecto que jamais poderei realizar – ser Mãe! Acabei de me tornar Mamã! Tenho um pequeno tesouro com 2 meses e uma semana, e é sem dúvida o melhor que já fiz em toda a minha existência!

E a Nazaré? Que lugar tem no teu coração?

Tem um” Lugar Cativo”, sempre!!!!

O que te faz SER feliz, Teresinha?

Adormecer ao lado do meu amor....assistir a um bom concerto....brincar com os meus cães...gelado.... e claro, o sorriso do meu filho...pequenas coisas , que não têm preço....

Querida Teresinha, muito obrigada pelo teu tempo, por este sonho meu tornado realidade... é muito bom caminhar ao lado de pessoas como tu...


Num dos programas em que mais gostou de participar, a interpretar um tema cantado por Rita Guerra: “Deixa-me Sonhar”

Um excerto do programa “Dança Comigo”, onde a sua voz tantas vezes foi elogiada por Catarina Furtado…

Com a sua irmã do Projecto “Canções do Mundo”…


Num especial da Sic, a interpretar “Perdidamente”, de Florbela Espanca…



E aqui ficam os contactos para espectáculos… vale muito a pena, acreditem!
Boa sorte, Teresinha!



























sábado, 4 de agosto de 2012

... Pedro Augusto Vasconcelos


Pedro  Vasconcelos, 35 anos, natural da belíssima ilha da Madeira ( mais precisamente, São Pedro – Funchal).
Ao contrário do primeiro entrevistado, o Pedro não é conhecido do grande público, mas muitos são os que, no mundo do mergulho o conhecem e reconhecem.
Foi professor de Educação Física e, neste momento é Instrutor de Mergulho na Empresa FocusNatura e faz fotografia e vídeos subaquáticos.
As duas grandes paixões da sua vida são, sem “ondas” para dúvidas, os dois lindos filhos que tem e o mar onde, se pudesse, construiria a sua casa.
Hoje, na minha varanda, tenho como paisagem o fundo do mar e Pedro  Augusto Vasconcelos…

Tu és um apaixonado pelo mar e pelo mergulho… ter nascido numa ilha, rodeado de azul e profundezas lindíssimas, foi um “chamamento” para o que hoje fazes?

Desde que me lembro de existir que estou rodeado de mar e de um azul intenso.
Nasci perto do mar e desde bebé iniciei as minhas aventuras e brincadeiras em contacto com a água. O desporto também teve inicio no mar, começando pela paixão de nadar e depois pela vela.
Os programas do Jacques-Yves Cousteau, nas velhinhas cassetes de vídeo,  fizeram despertar a minha curiosidade pelo fundo do mar... e desde então continuo a satisfazer essa curiosidade de pequeno.

Nunca tiveste medo de mergulhar?

Não. Sempre tive e continuo a ter a consciência das regras de segurança a seguir, mesmo com a experiência que tenho. Sei que os acidentes podem acontecer e como tal tomo sempre as precauções necessárias para os minimizar.
E como diz o ditado, existem mais marés do que marinheiros, só mergulho quando a maré é boa :-)

Com quantos anos aprendeste a nadar?

É uma muito boa pergunta, a qual não sei responder, pois nunca perguntei aos meus Pais, visto o meu contacto com a água ser tão natural para mim que penso que nasci e já nadava, ehehhe.

Tens vários cursos de mergulho e foste professor de Educação Física…isso significa que ensinar os outros te dá prazer? Ou seja, ajudar os outros a usufruir daquilo que para ti é um sonho, dá-te um brilhozinho nos olhos?

As motivações que me levam a mergulhar são várias na verdade, mas existem duas que se sobrepõem às outras:
-Produzir imagem subaquática – Fotografia e vídeo
-Ensinar pessoas a mergulhar
Para mim estas duas motivações são a forma mais natural de como consigo transmitir a minha paixão pelo mundo subaquático. A imagem traduz a minha forma de ver a beleza deste maravilhoso meio. O ensino e o sorriso de um novo mergulhador traduz-se num calor muito especial no meu interior que faz com que tudo valha a pena.

A Ilha da Madeira, onde vives, e Porto Santo, têm locais belíssimos para mergulhos… onde gostas mais de te “refugiar”? Em que zona da ilha/ ilhas e porquê?

As duas possuem particularidades diferentes e interessantes, apesar de muitas semelhanças.
Na verdade se estiver debaixo de água sinto-me bem e simplesmente adoro, seja no Porto Santo ou na Madeira.
O Porto Santo apresenta visibilidades maravilhosas e melhores que na Ilha da Madeira, tornando o mergulho simplesmente LINDO.
No entanto conheço melhor os locais de mergulho na Madeira, visto ser o meu local de nascimento, residência e trabalho. Logo gosto de diversos locais como a Reserva do Garajau, os Reis Magos, as Ilhas Desertas e a Ponta de São Lourenço. O lado Norte da Ilha também é lindo e pouco explorado devido às condições de mar.

Fala-me dos mergulhos nocturnos…que prazer se tem ao mergulhar no escuro? É um bocadinho assustador, não?

O mergulho nocturno é o redescobrir de um local de mergulho. Estando a mergulhar no mesmo local de dia e de noite é como se mergulhássemos em dois locais diferentes. Isto porque existem muitos seres vivos que apenas aparecem durante a noite e outros que apenas os vemos durante o dia.
Não chamaria de assustador a um mergulho nocturno, mas sim um mergulho que requer um maior autocontrolo pois a ansiedade é superior.

Tu és uma pessoa muito tranquila… eu já senti isso noutros mergulhadores… o facto de, por vezes, correrem perigo, com tubarões ou águas mais agitadas faz com que desvalorizem muito daquilo a que a maior parte das pessoas dá demasiada importância no dia-a-dia?

Uma pergunta muito difícil de responder, pois independente de fazer mergulho considero-me uma pessoa tranquila e de facto sem dar muita importância a certos “medos” do dia a dia. Claro que o contacto com diversas situações diferentes das habituais “do mundo terrestre” torna-nos mais aptos (se assim se pode dizer) para lidar com outras situações.

Os equipamentos de mergulho são caros…. Quanto custa um equipamento completo?

Será uma bicicleta cara? Depende da bicicleta, tal com o equipamento de mergulho. Existem diversas marcas e qualidades de equipamento. Podemos ter um equipamento completo a um preço aceitável e existem outros equipamentos muito caros, mas de elevada qualidade.
A paixão do mergulho e o que retiramos de cada respiração debaixo de água vale cada cêntimo do nosso equipamento.

Tu tens uma Empresa de mergulho…a Focusnatura…. Porquê este nome e não outro? De onde nasceu este “focus na natureza”?

Focusnatura surge de Focar a Natureza, pois a ligação à imagem (fotografia e vídeo) é muito forte e como tal decidimos que seria um nome bom para aplicar às várias vertentes da empresa, pois também é um nome que qualquer pessoa o consegue dizer e fica na memória independente da nacionalidade da mesma.

Neste momento, em que a maior parte das pessoas está de férias, e as ilhas portuguesas são certamente um dos locais escolhidos para passar o Verão, como podes convencer as pessoas a experimentar um mergulho na tua empresa, contigo? Em que se diferencia a Focusnatura das outras empresas de mergulho?

A nossa empresa é a única na Ilha que é de locais e como tal conhecedora de todos os recantos do nosso maravilhoso mundo subaquático.
Não existindo a perfeição, possuímos uma equipa de vários profissionais que são avaliados constantemente de forma a prestar um serviço de excelência a todos os nossos clientes e amigos a par da segurança.
Penso que o nosso lema poderá transmitir melhor: “Venha como um cliente e saia como um amigo”. Não é de nossa autoria esta frase, mas é sem dúvida o que nos faz mover para transmitir a nossa paixão a todos.

Quando alguém contacta a Focusnatura no sentido de querer aprender a mergulhar, existe algum questionário que tenham de preencher? Qualquer pessoa pode fazer mergulho ou existem restrições?

Qualquer pessoa pode fazer mergulho a partir dos 8 anos de idade. Para ir ao mar é a partir dos 10 anos de idade.
São poucos os condicionantes médicos que limitam uma pessoa de mergulhar. Contudo se por algum motivo de saúde uma pessoa não pode mergulhar pode sempre disfrutar do mundo subaquático através do snorkeling (observar o mundo subaquático desde a superfície apenas utilizando uma máscara, tubo e barbatanas).
Existe sempre uma forma de estarmos em contacto com o mundo do silêncio de Jacques Cousteau.

Na primeira aula, o que fazes com o aluno? Quais são os passos até estarem aptos a ir para o mar mergulhar?

O curso Open Water é o 1º degrau da formação de um mergulhador. Neste curso e através de várias aulas teóricas, de piscina e de mar as pessoas aprendem o básico e o fundamental para mergulharem em perfeita segurança.


Já algum aluno chegou à altura de mergulhar e desistiu? Ou, as pessoas que se inscrevem neste tipo de actividade entregam-se de corpo e alma sem pensar nos riscos inerentes?...porque… há riscos, certo?

Existem riscos sim e por isso as pessoas devem procurar centros/escolas de mergulho devidamente certificadas e Instrutores qualificados (pedir sempre as qualificações do Instrutor) para que possam aprender a mergulhar em segurança.
Em 18 anos como mergulhador e 13 anos como Instrutor foi muito raro ver alguém desistir de mergulhar.

Em que parte da ilha está a Focus Natura? Como é que um leitor desta entrevista, que vá de férias para a Ilha da Madeira vos pode contactar, se quiser experimentar a prática de mergulho?

A Focusnatura possui 2 centros de mergulho. Um em Santa Cruz e outro no Hotel Four Views Oasis, no Caniço.
A melhor forma de contacto será por mail ou por telefone. Podem consultar a nossa página web e o facebook para obter mais informações.
+351 918479922 ou +351 916409780 ou +351 916412150

O que sentes quando estás no fundo do mar?

Sinto-me calmo e em paz de espírito. Sinto-me no meu mundo. A água é para mim como energia para a vida.

Alguma simpatia por algum peixe em particular?

Não tenho nenhuma em especial, pois todos os seres com os quais tenho contacto possuem características únicas e belas de serem observadas.
Claro que uma Manta, uma Foca ou um Tubarão são sempre animais graciosos de se ver e que despertam sensações maiores.

Gostas de comer peixe :-) ?

Gosto de comer vários tipos de peixe sim.

Tu passas os dias no mar… quase é a tua casa… mas, se fosse possível construir uma verdadeira casa, quiçá, num submarino abandonado, nas profundezas das águas…. Era lá que tu vivias?

Sem dúvida. Adorava ter uma casa subaquática.


Esta pergunta era quase “desnecessária”,  mas a “minha varanda” gosta muito dela :-)…. O que te faz SER feliz?

O que mais me faz ser feliz são os meus filhos.
No âmbito do mergulho a felicidade surge de várias formas. Transmitir a minha paixão pelo meio subaquático seja através do ensino de mergulho ou través da imagem é o que me dá mais prazer.

Obrigada, Pedro… espero que as pessoas que leiam esta entrevista e se desloquem à ilha da Madeira, possam experimentar o mundo do mergulho contigo e com a tua equipa… Bons mergulhos, Boas Fotos e fico à espera que encontres o “teu” submarino para tomarmos um café, numa próxima entrevista… Boa Sorte!

Não poderia terminar esta conversa sem deixar os meus leitores e amigos a desfrutarem de algumas imagens únicas e que, certamente, valem por mil palavras...
Até à próxima entrevista!









   



"Venha como um cliente e saia como um amigo..."