sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

... Feliz Ano Novo!

 
De Julho de 2012 até hoje, passaram por esta varanda de sonhos, pessoas que proporcionaram "conversas felizes".
Em jeito de balanço de final de Ano, não posso deixar de agradecer a, cada um, o seu tempo, dedicação e honestidade, em cada conversa.
Cada um é único e especial.
Cada um tem o seu mundo próprio, genuíno e feliz.
O meu "muito obrigada" a:
 
 
 
Rogério Charraz

 
Pedro Augusto Vasconcelos

 
Teresa Radamanto

 
Marco Rodrigues

 
Cecília Moreira

 
Marina Pacheco

 
Joana Vaz Teixeira

 
Cuca Roseta


Vera de Vilhena
 
 
A partir de Janeiro de 2014, será publicada uma entrevista por mês.
Conto convosco, desse lado, para 12 Conversas Felizes no Novo Ano.
Saúde e Paz para todos!
Sejam felizes!

domingo, 15 de dezembro de 2013

... Vera de Vilhena

Dezembro é um mês quentinho de afectos, magia e presentes.

Para este mês, escolhi como entrevistada, a doce Vera de Vilhena, que acaba de lançar “A Ilha de Melquisedech” ( o primeiro volume de uma trilogia).

Vamos fazer magia e imaginar uma casa no campo, rodeada de silêncio, um vale em tons de verde e infinito, uma lareira, um chá bem quente e óptima companhia…

Esta conversa é tão bonita… espreitem só….

Quem é Vera de Vilhena?
Ui, uma pergunta difícil logo para começar! (risos) Posso responder com biografia-relâmpago.
Sou a mais nova de cinco irmãos, filha de um oficial da Marinha. Nasci e vivi em Lisboa, passava os fins de semana e os verões perto de Sesimbra, no campo e junto ao mar.


Comecei a trabalhar aos 19 anos, estudei turismo que nunca exerci, porque a vida me empurrou para a música. Em 2002 fui eu que me empurrei para a escrita. Mas continuo a cantar, é claro. Felizmente, são duas actividades perfeitamente conciliáveis. Sou mãe de um rapaz com 18 anos, uma sentimental sem remédio, mas também muito crítica, às vezes; dizem que sou doce (risos). Sou preguiçosa, distraída, espirituosa, mimuças, tímida mas disfarço bem e tenho um péssimo sentido de orientação: acho que os meus pais se esqueceram de me instalar o GPS quando me fizeram: perco-me nos lugares mais improváveis.

O público ainda tem muito presente a sua imagem como cantora residente nos Programas televisivos de Júlio Isidro, ao domingo à tarde… o que surgiu primeiro na sua vida? A música ou a escrita?
A música teve, desde muito cedo, um papel muito importante para mim: cresci a ouvir os discos dos meus pais: Ella Fitzgerald, Vinicius e Toquinho, Gal Costa, Sinatra, Carole King, Paul Simon, Paul Williams… mas ao mesmo tempo, desde a adolescência, sempre me resguardei nos diários e fui escrevinhando uns versos horríveis (risos), cheios de pontos de exclamação!!! e reticências… … e lia muito, leio desde que me lembro. Aos 12, 13 anos já corria as obras completas do Eça, aos 15 li Sartre e Kafka, as memórias da Simone de Beauvoir, enfim, era um bicho, para alguns dos meus amigos. Quem escreve precisa de alimentar-se com livros, é normal.
Ainda em criança desafiavam-me para cantar; cheguei a tocar umas coisas em flauta, a tirar melodias de ouvido, como o Hino da Alegria, de Bethoven ou o Bolero de Ravel, com 12 anos; aos 15 recebi uma guitarra acústica com cordas de nylon e compus uns temazitos: a viola foi uma passagem interessante para explorar melhor a voz, mas cedo descobri que não tinha talento nem paciência suficientes para trabalhar devidamente o instrumento: esse passou a ser a voz, desde que o Júlio Isidro me convidou para integrar a banda de cantores residentes do “Regresso ao Passado”, em 1989, estava eu a cantar em bares à noite, para ganhar uns trocos para os alfinetes, sem sequer fazer tenções de ser cantora profissional. 


“Regresso ao Passado – com Rita Guerra e Isabel Campelo”


“Regresso ao Passado – penso que um sonho più cosi no rittorni mai”


“Cruzeiros no Paquete Funchal”

A relação com a escrita desenvolveu-se a partir de 2002, despoletada pelos caprichos do meu filho. Partilho essa história na biografia que consta no meu site. Depois, o facto de ter tido uma espécie de emprego no casino do Estoril, durante 6 anos, onde cantava temas de bossa-nova de soft-jazz com um quarteto, permitiu-me escrever, pois deu-me uma paz de espírito, em termos financeiros, que eu não sabia ser possível para quem é músico ou cantor profissional na minha área. Foi então que comecei a escrever ficções mais longas: tinha tempo e disponibilidade mental: estava em paz para escrever.

Onde vai buscar a inspiração?
As pessoas têm ideias muito românticas em relação a isso. No meu caso, tal como no de muitos escritores, a coisa funciona mais na base do princípio: Quando a inspiração chegar, irá encontrar-me a trabalhar. É preciso escrever. Escrever muito. E ler mais ainda. A escrita é um músculo que deve ser exercitado regularmente. É evidente que preciso de certas condições para me concentrar: trabalho no meu pequeno escritório instalado numa casa virada para um vale e tenho um luxo que poucos têm: silêncio. 


Se os cães se portarem bem, podem deitar-se ao pé de mim. De resto, a solidão e o silêncio são os melhores motores. Para criar ambiente, recorro por vezes a uma vela aromática e a compositores como Debussy, Danny Elfman, Howard Shore, John Williams, John Lunn… têm bandas sonoras fantásticas, instrumentais que são, para mim, o ideal para escrever: se houver voz, desconcentro-me! Em termos de ideias para escrita…tudo! Qualquer coisa é passível de ser tema de um texto: pessoas, coisas, lugares, sentimentos, histórias, memórias…um par de sapatos ou uma fechadura podem dar um excelente conto. Disso só depende o autor.

Como nasceram todos os projectos literários ( escrita de livros, criação de blogue, revisão de textos, oficinas e cursos de escrita criativa)?
Ui, outra pergunta difícil! Vamos por partes, como dizia Jack the Ripper (risos): criei o blogue pouco depois de me mudar para o campo, assim que tive um computador decente: nasceu da necessidade de escrever, de ter um canto virtual a nível diário que me obrigasse a “ginasticar” a escrita com alguma regularidade. O blogue? aqui:  http://veravilhena.blogspot.pt/
Os livros? É sabido, o normal: aparecem-nos histórias e personagens que ficam durante meses, anos, a puxar-nos a manga do casaco, até que nos sentemos a escrever. Só então temos paz e podemos seguir rumo a outra coisa qualquer. O trabalho como revisora de texto surgiu como consequência de começarem a pedir-me para o fazer a título gratuito: revi um, depois outro, depois outro…até que um dia disse: chega. O trabalho paga-se. E comecei a cobrar. Outra coisa que costumo dizer e que é extensível à música e comum a tantos colegas meus na escrita e na música: não me peçam para dar a única coisa que tenho para vender. É que as pessoas esquecem-se, às vezes, que este é o nosso oficio, a nossa profissão (ou profissões): sim, estamos ligados às artes, sim, trabalhamos durante o lazer dos outros, sim, adoramos o que fazemos, e, precisamente por isso, andamos muitas vezes na corda bamba, sem saber como será o mês seguinte; por isso, tal como outra pessoa qualquer, temos de ser pagos. A sério, bato-me muito por isso. Em fotografia, música, literatura, etc, há muitos pedidos de borlas! E nós também temos contas a chegar pelo correio.
As oficinas de escrita criativa foram fruto dessa mesma necessidade: o improviso em épocas de pouco trabalho. Deu certo. Comecei a ter convites, a elaborar oficinas temáticas e descobri que era algo que gostava de fazer também. 


Mas é raro, desde 2009, tenho feito apenas duas ou três por ano. Recentemente venci o problema da distância de potenciais interessados, dando aulas online. Já tive um aluno que mora em Londres.

Também escreveu duas letras para o álbum “Luar” da Rita Guerra… aliam-se aqui amizade, música e escrita?
Olha, uma pergunta de resposta rápida! (risos). Sim, claro! Eu e a Rita conhecemo-nos há mais de 20 anos e ela tem acompanhado o meu percurso, tal como eu acompanho a carreira dela: o cruzamento era inevitável, foi um convite natural e uma boa experiência. No entanto não me considero compositora mas sim letrista.

Album “Luar” da Rita Guerra

Tema "Noite e Lua". Link:

“A Ilha de Melquisedech”… um livro que chega no mês do Natal… que presente é este? O que nos oferece esta “ilha”?
São 505 páginas de evasão e de magia. Acho que todos nós temos vontade de fugir, de vez em quando, para mundos impossíveis e perfeitos. O tema da utopia foi explorado desde Thomas More, no séc. XVI, até ao romance “As três Sereias”, de Irving Wallace, que li aos 15 anos e que me marcou bastante. Mas a Ilha de Melquisedech, apesar de parecer, num primeiro olhar, uma narrativa para adolescentes, pode perfeitamente seduzir os adultos, como aliás tem acontecido: não só porque todos temos, dentro de nós, a criança que fomos, como também este romance de fantasia não é tão inocente como isso. Fui escrevendo a história recorrendo a personagens que se multiplicaram para me servir, e recorri a muitos elementos da mitologia nórdica e helénica, que me pareceram absolutamente irresistíveis. Há igualmente uma espécie de homenagens a jogos e ofícios tradicionais que estão a desaparecer na era moderna e que eu quis recuperar, além de que se encaixavam como luva neste cenário suspenso no tempo. E espero que os leitores se divirtam e encantem tanto como eu, ao escrever este livro que andou comigo durante mais de dez anos.

Onde podemos adquirir este livro de fantasia?
É uma edição da Chiado Editora, pelo que o livro será apresentado às livrarias do comércio tradicional e aos grandes grupos comerciais (Fnac, Sonae, El Corte Inglês, Bertrand e Bulhosa) que farão encomenda da obra se ela tiver procura. De qualquer forma, o livro estará sempre disponível em qualquer balcão, através de encomenda. Online, podem encontrá-lo no site da Chiado Editora, na Wook, na Bertrand Online e no Sítio do Livro. Eu própria tenho também alguns exemplares comigo, que posso (não por muito mais tempo, pois estão a esgotar-se, felizmente!) fazer chegar aos leitores, com a justa dedicatória e sem portes de correio: por isso escolhi a época de Natal.
No Brasil, a Chiado trabalha também através de pedidos de clientes com a Livraria Cultura e Livraria Saraiva, pelo que o meu livro fica disponível no catálogo deles (em loja e online) e sempre que alguém encomenda a editora procede ao envio dos livros pedidos. O que é uma vantagem em relação às editoras tradicionais. Já tenho encomendas do Brasil! O que é muito bom e surpreendente, confesso.

A Vera vive na Ericeira e partilha a vida com Nanã Sousa Dias… este é o “casamento” perfeito? A inspiração mais bonita? Afinal, o encanto da Ericeira fala por si e o músico e compositor embalam uma cultura e um gosto que vai ao encontro do muito que vem construindo no seu caminho…
Sim, claro, ambos gostamos de estar perto do mar e da vida no campo, por isso a zona da Ericeira e o concelho de Mafra, não sendo muito distantes de Lisboa, oferecem-nos ambas as paisagens e uma boa qualidade de vida. A costa abunda em praias excelentes para o Nanã fotografar (faz fotografia Fine Art, a preto & branco, de médio e grande formato, e revela em casa, no laboratório, além de dar workshops aqui também, no estúdio dele, onde já fez muitas capas de discos – Rui Veloso, Rita Guerra, Paulo Gonzo etc – o que seria impossível, se tivéssemos um apartamento na capital ou na linha do Estoril).


Além disso, como músico, pode estudar saxofone às horas que bem entender, sem vizinhos a bater com a vassoura no tecto (risos): é que o senhor tem um tórax de meter respeito! Por vezes só não é o “casamento perfeito” quando eu pretendo escrever e ele decide estudar barítono… nesse caso, salva-me o volume das colunas do computador (risos), ou, sei lá, vou lavar a loiça ou brincar com os cães até que passe.

O que lhe oferecem as fotografias e as músicas de Nanã?
As fotografias? Muito. O Nanã tem um gosto e uma estética irrepreensíveis, além de saber a sério do seu ofício. Quanto a retrato, as melhores fotografias que tenho foram tiradas por ele. Quase todas.



Como saxofonista não é tanto “a música”, mas a sua forma de tocar. O Nanã é extraordinariamente versátil nos géneros de música e especializou-se como solista e improvisador: nunca toca um tema da mesma maneira e quando a noite “lhe corre bem” eu lembro-me que ele continua a ser o meu saxofonista preferido (risos)!

Onde poderemos ler a Vera-escritora?
Bom, além de poderem comprar o meu novo livro (risos), podem seguir o site e o blogue. (site: http://veravilh.wix.com/gavetas-e-gavetinhas) Por aí poderão manter-se actualizados quanto ao que vou fazendo e escrevendo, além da página de facebook, claro.


Aproxima-se o Natal… um momento quentinho de afectos e reflexão… o que lhe traz esta quadra?
O frio! (risos). Sou muito friorenta. Adoro decorações natalícias, quando são bonitas. Fico embevecida com certas imagens cheias de dourados, encarnados, verdes-escuros, roupas quentinhas com estrelas de neve, casinhas de chaminés fumegantes, bolos de gengibre e todo o imaginário infantil. Sou uma criança sem remédio, que não cresce: uma Peter Pina (risos). E adoro os filmes de natal, cheios de coisas inúteis e de fantasia. Precisamos muito de magia nas nossas vidas. De resto, o Natal é a consoladora antecipação de rever a família, com quem não estou tantas vezes quanto desejava e, é evidente, tenho a perspectiva de engordar dois quilos: está marcado na agenda (risos).

Projectos para 2014…
Emagrecer dois quilos. Continuar a escrever o segundo volume d’ “A Ilha de Melquisedech”. Ir às escolas, que já me lançaram alguns convites. E, lá para a primavera, irá sair um outro livro, intitulado “Coisandês – A vida nas coisas”. É um conjunto de contos para adolescentes, que ganhou o Prémio Revelação APE/Babel e que, finalmente, será publicado a tempo da Feira do Livro de Lisboa. Irá ter também, à semelhança da Ilha de M., ilustrações da Vanessa Bettencourt. Na música pretendo continuar a cantar bossa-nova e soft-jazz, a não ser que me apareça algo de novo que me apeteça cantar.

Transmite a imagem de uma mulher muito doce e serena. O permanente contacto com a natureza ajuda?
A doçura é crónica, nada a fazer (risos). Caí num caldeirão de mel quando era pequenina. Serena? Eu? Não sei, talvez. Nem sempre. Preciso da inquietude da cidade de vez em quando, mas rapidamente preciso de voltar a ser flor silvestre e regressar a casa, para junto das árvores, do vale, dos cheiros, do silêncio, dos bichos (pássaros, corujas, vacas, ovelhas, corvos, raposas, coelhos, saca-rabos…ninguém sabe o que é um “saca-rabo”, mas há aqui e são muito engraçados, uma espécie de texugos).

O que a faz SER Feliz?
Ver felizes aqueles que amo, fazê-los felizes, estar com a família e os amigos, ter sonhos, organizar projectos impossíveis, receber mimos, ver coisas boas a acontecer à minha volta e sentir que vale a pena. Seja o que for. Que valha a pena, pois as conquistas mais difíceis são as que têm melhor sabor. Um cliché e uma grande verdade.


Vera de Vilhena… um nome e um rosto a não esquecer…
Sejam felizes!







 

domingo, 6 de outubro de 2013

... Cuca Roseta...


É uma menina bonita e com uma presença que faz a diferença pela elegância e forma de estar… na vida e no fado.
Poucos serão aqueles que se lembram da sua voz nos Toranja… o Fado foi abraçado mais tarde… a sua voz não passou despercebida a nomes como Carlos Zel e João Braga.

Hoje, a minha conversa feliz é num páteo alfacinha, com cheiro a Terra, a Tejo, a Sonhos e a Fado…. Comigo e convosco, com muito orgulho e um enorme sorriso, Cuca Roseta! 



Cuca é mesmo o seu nome ou é um diminutivo, um mimo de quem gosta de si?
Cuca é mesmo o meu nome, foi-me dado pela minha irmã quando nasci e assim ainda me chama toda a família. Isabel um nome lindíssimo, mas com o qual não me identifico.

Antes da fadista, quem é a Cuca como mulher e mãe?
Sou uma mãe muito dedicada e uma mulher muito sensível.

Que estilo de música gosta de ouvir? Só Fado?...
Gosto muito de jazz, música clássica, também alguma música comercial, mas essencialmente jazz.

A voz serena e angelical misturam-se com uma forma de vestir e estar muito originais… como foi esse casamento com o Fado na voz da crítica?
Penso que quem me escuta com o coração percebe a paixão e o respeito que tenho pelo Fado e facilmente tudo o resto encaixa, pois é genuíno, e o que é genuíno não tem de ser explicado... é ser quem somos na nossa essência sem medo de ser criticado.

A sua beleza foi um facilitador ou, por outro lado, teve de dar “mais provas” que é muito mais que uma mulher bonita?...
Normalmente não é um facilitador, ao contrário do que as pessoas pensam. Existe muito uma ideia que quem tem boa imagem não pode ter boa voz. Mas depois ao vivo quando o sentimento e a verdade do fado falam por si, aqueles que o escutam percebem que a beleza é outra, é uma beleza que vem de dentro, que é inerente à arte e ao fado

Como nascem os seus discos? São “filhos” que se desejam e nascem ao fim de 9 meses ou tudo fica mais ao sabor do vento e, quando existe matéria para, fazem-se as últimas afinações e entra-se em estúdio?
Os discos podem ser considerados filhos... mais que isso, o culminar de um ciclo que se fecha e que é recordado para sempre... Evoluirá mas deixará saudade da inocência inerente à evolução. Contam as historias da melhor junção de fados e sentimentos, descrição da verdade e emoções sentidas desde o primeiro até ao estúdio para a gravação do segundo. Um disco conta também uma história, tem um tema, com imagens que se associam à história desse conjunto de histórias.



Palco ou Estúdio? Porquê?
No palco estão connosco muitas pessoas que trazem também as suas emoções e a sua energia. Essa nostalgia não se consegue no estúdio. O fado é um momento de partilha de emoções seja através do público ou de nós. No estúdio também se pode conseguir um ambiente especial, mas será sempre mais individualista.

Como se prepara para os concertos? Alguma superstição? Algum medo?
Medo sempre, mas coragem também, e responsabilidade. Apenas fazer silenciáveis, dar lhe o devido respeito, pois fala-se de intimidade e sentimentos.

Como lida com o público e a crítica?
Fazemos música para quem a sente ou para quem se move com ela. Quem não a sente não é nosso público, não há com que preocupar. Há que preocupar e respeitar aqueles que nos ouvem, que nos seguem, aqueles para o qual a nossa música faz sentido e os ajuda de alguma forma, seja chorando ou sorrindo mas, essencialmente, os reconforta de alguma forma. A critica normalmente, se não for bem fundamentada, vem daquele que não sentiu, que apenas viu do lado de fora ou procura comparação ou defeito. O fado não se compara, o fado não é superficial, o fado sente-se e partilha-se com quem está aberto a receber essa partilha e a responde também de forma genuína e intuitiva.

A sua imagem é a de uma mulher serena e de bem com a vida… é mesmo assim?
Penso que devemos agradecer cada oportunidade que nos é dada. Nesse sentido não sou ansiosa, pois não crio a expectativa de chegar a algum lugar mais ou ter mais do que aquilo que tenho.Cada dia que canto seja onde for, cada vez que partilho algum sentimento, sinto-me muitíssimo feliz de o poder fazer. Essa alegria e gratidão traz-me serenidade.

Consegue viver-se do Fado em Portugal?
Consegue, até porque nós viajamos muito.Temos um trabalho que é requisitado no mundo inteiro e até maioritariamente lá fora. Isso é realmente uma grande ajuda neste género musical pois é universal, não fosse património mundial.

Três palavras que definam o seu Fado…
Verdade. Essência. Genuinidade.

Se fosse Ministra da Cultura, se tivesse poder para agir, o que mudaria no panorama cultural português?
Mudaria inúmeras coisas mas, essencialmente, o valor que damos as coisas.

O que a faz Ser Feliz?
Agradecer as oportunidades e as possibilidades que tenho dia a dia e não desejar mais. Isso faz-me ser muito feliz. Viver um dia de cada vez.


Sou muito grata à Cuca por me ter proporcionado esta conversa, diferente, feliz...
Para quem pretender ilustrar as palavras com música, aqui ficam alguns vídeos....

Fado do Abraço

Fado do Contra

É Lisboa a namorar

"Rosa cor-de-rosa" com Ana Moura

Nos teus braços


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

... Isabel Oliveira

Bom dia!
A Entrevista a Isabel Oliveira foi publicada na Zen Energy de Outubro.
Em Novembro será publicada aqui, no meu blog!
Obrigada pelas v/ visitas!
Sejam felizes!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

... Joana Vaz Teixeira

Foto de Manuela São Simão

Joana Vaz Teixeira, 32 anos, a viver em Londres há mais de 6 anos, decide despedir-se de um emprego “estável” e fazer uma viagem de 2 meses e meio pela América Latina.
Uma viagem que a mudou como pessoa e como ser humano: hoje, usufrui mais do Presente, dá mais valor ao tempo que partilha com as pessoas que ama… ultrapassou medos, manias e preconceitos. É, hoje, uma mulher mais madura e que vive no Agora.
Loucura ou arriscar a viver?
Acho que, a conversa e as imagens vão valer bem a pena…
Antes de mais e para fazer um enquadramento no que te levou a fazer um corte com um tipo de vida, para fazer um intervalo de viagens….o que te impeliu, há uns anos, a sair de Portugal e ir viver para Londres?

Eu fui para Londres em Fevereiro de 2007 por dois grandes motivos: um de carácter pessoal e outro profissional.
Desde os tempos em que estudava na Faculdade de Economia do Porto que ambicionava ir para Londres estudar ou trabalhar; queria testar-me e ver se conseguia "safar-me" noutro país. O ter-me apaixonado por uma pessoa que morava em Londres fez-me fazer as malas e ir.

Que mais-valias te trouxe esta cidade?

Em seis anos cresci muito.
Fui para uma cidade onde conhecia apenas duas pessoas: o meu namorado e o colega de casa -dois portugueses de Lisboa a viver em Londres há já alguns anos.
Foi a minha emancipação, a saída da casa dos pais.
Tive de aprender a fazer muitas coisas sozinha, ou sem ajuda de pais e amigos.
A cidade de Londres é fantástica, cheia de oportunidades a nível profissional e com muitas actividades para os tempos de lazer, mas é também uma imensa cidade fria, com muitas pessoas que estão apenas de passagem.
Facilmente arranjas o que eu chamo "amigos de pub" com quem podes ir tomar uns copos no final do trabalho, mas encontrar amigos para ter uma conversa mais profunda e para te ajudarem quando estás mais em baixo, já é mais difícil.
Eu tinha uma rede imensa de amigos de longa data aqui no Porto e separar-me fisicamente deles foi muito doloroso e demorei anos a fazer amigos de verdade em Londres (Passei a valorizar de uma forma muito especial os meus amigos e os momentos que passo com eles).
Viver em Londres ajudou-me a ser mais "desenrascada".
Diz-se que os portugueses são muito desenrascados mas não vejo isso nos meus amigos. Acho que, talvez as gerações mais velhas sejam, mas a minha definitivamente não é: as gerações pós-25 de Abril foram muito protegidas e estamos sempre a correr para debaixo das asas dos pais que nos socorrem sempre.  
Londres ensinou-me a ser mais tolerante: numa cidade de mais de 8 milhões de habitantes existem muitos emigrantes e filhos de emigrantes; é uma cidade onde se falam mais de 300 línguas. Isso faz com que trabalhes com pessoas de diferentes culturas e backgrounds.
Tens, por exemplo, restaurantes de todo o mundo. Eu habituei-me a jantar em restaurantes indianos, vietnamitas, japoneses, tailandeses, até cheguei a ir a um etíope (onde se come deliciosamente e com as mãos - não há talheres).
Era frequente estar numa festa com australianos, italianos, escoceses, americanos, indianos, columbianos e, claro ingleses e portugueses. Tens cinema, espectáculos de dança, teatro, concertos, e uma oferta imensa da qual não consegues usufruir na totalidade pois no mesmo dia acontecem mil e uma coisas.
A outra mais-valia de Londres é que te permite viajar facilmente para tantos destinos: a Easyjet sai do Porto para 6 destinos e de Londres para cerca de 110.
Para quem adora viajar, como eu, isto é um paraíso de possibilidades. Um dia saí de Londres de manhã com dois amigos e fomos passar o dia a Bruxelas. Voltamos ao final do dia - de Eurostar são pouco mais de duas horas. Passeamos pela cidade de café e snacks na mão, a tirar fotos e a conversar. Um dia espectacular!
Viver em Londres tornou a relação com os meus pais e o meu irmão mais forte e intíma, passei a procurar estar com eles sempre que vinha ao Porto, a ter o tradicional almoço de família, mas também a fazer programas com eles, como ir passear pela Ribeira do Porto ou ir até ao Gerês. No fundo, passei a procurar ter tempo de qualidade com eles.

Em Londres, com casa alugada, amigos e emprego….muita gente te terá apelidado de “louca” por te despedires para viajares 2 meses e meio pela América Latina? Foi apelo? Foi destino? O que te fez “embarcar” numa viagem completamente desprogramada ( tu, que és tão organizada, metódica, sempre cheia de “to to lists”)?

Curiosamente não.
De todas as pessoas que me rodeiam (em Londres e Portugal) apenas uma me apelidou de louca.
Em Londres é mais ou menos normal as pessoas despedirem-se para procurarem empregos melhores ou para procurarem um novo rumo. 
Obviamente que vivemos num contexto económico e financeiro complexo e em que as oportunidades de emprego escasseiam. Mas eu acredito que as oportunidades vão surgindo se formos pacientes. E acredito ainda mais na necessidade de escutarmos o nosso coração e a nossa mente e realizarmos os nossos objectivos, sejam eles de carácter pessoal ou profissional. E viajar pela América Latina várias semanas era um objectivo. Assim, na altura em que senti que o meu projecto em Londres estava a chegar a uma fase derradeira, comecei a pensar em fazer uma pausa na carreira para me focar nalguns projectos mais pessoais. Em meados de Julho de 2012 um dos meus melhores amigos disse-me que se tinha despedido e que ia viajar durante cinco meses pela América Latina. E eu decidi juntar-me a ele.
Não fizemos grandes planos, de facto. O meu último dia de trabalho foi a 17 de Agosto e compramos as viagens de ida a 30 de Agosto.
A data escolhida foi 1 de Outubro e optamos por Lima para começar pois era o vôo mais em conta. Um mês apenas entre o dia em que compramos as viagens de ida e o dia da partida (uma das últimas coisas que fiz na manhã de dia 1 de Outubro foi comprar o vôo de regresso). Isso fez com que não houvesse muito tempo para planear. Tive de vender a minha mobilia, empacotar todas as minhas coisas, arranjar acomodação para as cerca de 50 caixas de bens materiais acumulados em 6 anos, tive de fazer as compras para a viagem (mochila, repelente, casaco corta-chuva, botas de caminhada, etc), fazer seguro de viagem, tomar as vacinas necessárias para ires para estes países (febre amarela, malária, febre tifóide, etc), e isto tudo enquanto viajava pela Europa em fins-de-semana prolongados que já estavam planeados e enquanto fazia sessões de maquilhagem e fotografia para uma amiga que estava a fazer um portfólio nessa área. E assim pouco tempo sobrou para ler sobre os países e para planear. Li sobre o Perú e sobre a Bolívia. Sabia que ia aterrar em Lima. Não sabia quantos dias ia ficar em cada cidade. E não sabia bem que países iria visitar além do Perú e da Bolívia. Aliás, quando entramos no Chile e chegamos à cidade de San Pedro de Atacama não fazíamos ideia do que fazer, que sítios visitar. Mas aí já nos tínhamos cruzado com outros viajantes e já tínhamos dicas de sítios a visitar. Em San Pedro de Atacama fomos a uma agência de camionagem munidos de um mapa do Chile e pedimos que nos indicassem locais a visitar na costa do Chile, seguindo viagem.
Como observaste e bem, eu sou imensamente metódica e organizada. Nas minhas viagens anteriores e nas minhas férias sempre organizei tudo com muita antecedência, como marcar hotéis e planear os dias com visitas a museus e igrejas, e com os trajectos delineados.
Aqui fui à aventura, com muito pouco planeamento. Não marcamos nenhum hostel com antecedência - apenas o de Buenos Aires, pois aconselharam-nos a fazê-lo ( Eu acho que, quando vais de viagem várias semanas, o melhor é não teres nenhum compromisso que te faça ter de estar num certo sítio a certa hora - excepto a viagem de regresso - O melhor é teres a liberdade de chegares a uma cidade e adorares e decidires ficar mais dias do que o inicialmente planeado). Eu fui para Buenos Aires com a ideia de ficar lá 4 ou 5 dias e fiquei mais de 10…
O contrário também é válido, pois se chegares a um sítio que não te agrada, podes apanhar a primeira camioneta disponível e sair de lá. O não ter tudo planeado de antecedência ajudou-me a aprender a ser mais descontraída, a não estar sempre a pensar no futuro e no que aí vem e a usufruir mais o presente.  

Perú, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai, Iguaçu, Paraguay….a mescla de histórias e culturas dá um livro…. O que mais gostaste? Que país/ cultura mais te fascinou e porquê?

Não consigo eleger um país ou uma cultura que me tenha agradado mais. Posso-te falar de algumas das coisas que mais gostei de ver e viver.
O Machu Picchu e a caminhada nos dias que antecedeu a entrada no complexo foram maravilhosos - apesar de eu ter ficado doente com uma intoxicação alimentar que me fez passar um dia inteiro sem comida enquanto caminhava 7 horas.  




O Lago Titicaca na fronteira Perú-Bolívia é lindissimo e as ilhas de ambos os lados são deliciosas.




A viagem de comboio que fiz de Cusco a Puno, atravessando os Andes, foi mágica.



O deserto de Uyuni é maravilhoso e a imensidão de branco é indiscritivel (deserto de sal).



A visita às minas de Potosi foi intensa, e até de rastos andei em alguns dos corredores usados pelos mineiros.




Ver o pôr-do-sol no deserto de Atacama foi uma experiência linda que recordarei sempre com muito carinho.



Valparaíso foi uma agradável surpresa com muita street art (que eu adoro), comida deliciosa e o primeiro café "decente" que tomei na América Latina.



Santiago do Chile foi fantástico pois é uma cidade muito simpática, cosmopolita, e onde finalmente encontrei sol e tempo de verão.




A viagem de Santiago (Chile) para Mendoza (Argentina) deixou-me de boca aberta depois de quase 30 curvas a subir os Alpes.



O dia em que andei de bicicleta em Mendoza ao visitar as quintas de produção de vinho, cerveza artesanal e compotas foi divertidissimo.




Buenos Aires é delicioso com o seu ar europeu mas o toque sul- americano… - ser galanteador é um estado de espirito e um estilo de vida. Adorei os mercados de rua, os restaurantes, os cafés, a street art, e a mescla de gente em BA.



Colónia do Sacramento, no Uruguai, é uma pérola preservada pelo tempo - uma cidade fundada pelos portugueses há cerca de 500 anos para ter acesso ao comércio que se fazia no Mar da Prata na costa de BA.



Adorei a imponência das Cataratas de Iguaçu, onde decidimos ir à última da hora.




Assunción, a capital do Paraguai, onde passei dois dias a sofrer com o calor e a humidade mas onde caminhei pela cidade o tempo todo e onde me senti estranhamente em casa.



Salta, no norte da Argentina com paisagens naturais de te deixar sem palavras.



Arequipa no Perú e o Colca Canyon, onde fiquei num oásis chamado Paraíso.



O meu último dia na América Latina, com um passeio de bicicleta por Lima.
As pessoas que conheci - os locais e os viajantes….


São países muito “coloridos” e ricos em artesanato….
Se tivesses que “pintar” cada um dos locais que visitaste com uma palavra, qual seria?

É dificil. Do que eu vi na América Latina acho que comum a todos os sítios que passei é a cor e alegria. Vi cor em todo lado: no artesanato, nas casas, e até na comida. Existem sítios muito pobres mas vês as pessoas com um sorriso nos lábios, a serem felizes. Quem me dera ver os portugueses mais sorridentes e coloridos.


Em algum momento da viagem te arrependeste ou tiveste algum medo que te fizesse querer voltar a casa?

Nunca. Nunca me arrependi da minha decisão de me despedir, entregar a casa que tinha alugado com amigos e ir viajar.
Nem durante a viagem nem depois.
E não tive nenhum medo nem nenhum receio que me tenha feito sentir vontade de voltar.
Pelo contrário, em Dezembro, só me apetecia continuar a viagem.

Que medos ultrapassaste?

Ultrapassei alguns medos, de facto. E alguns "pre-conceitos" ou "manias". Tinha imenso medo de voar e depois de duas viagens de 13 horas, já não estou tão assustada...
A primeira vez que atravessei uma ponte velha no Perú que abanava por "todos os lados" ia ficando petrificada de medo. Na minha última semana no Perú já saltava no meio das pontes que abanam. Habituei-me a comer em sítios no meio da estrada e no meio da montanha. Deixei de me preocupar se a cama em que eu durmia estava feita com roupa lavada ou não - o importante era ter uma cama para dormir, e não ser feita de cimento (como me aconteceu no deserto do sul da Bolivia). Tornei-me mais descontraída e paciente - na América Latina tudo funciona com um ritmo muito próprio e se todos os dias insistires em te comportares como europeu que és, vais-te desgastar, porque as coisas não mudam só para te fazer feliz. Tu é que tens que mudar e te adaptar.
Depois de ter saído à noite pela primeira vez usando uns ténis “all star” sujos e meios esburacados, as calças que usava durante o dia e um top simples, deixei de me preocupar com as "produções para sair à noite", que tanto tempo nos fazem perder.

Sentes que estes países poderão ser o futuro para novas gerações?

Sem dúvida, e a prová-lo está o facto de eu ter conhecido imensos portugueses a morar e trabalhar em Lima, no Perú.
Por muitos sítios que passei, nomeadamente no Perú, Bolívia e Paraguai ainda há muito para fazer. São países muito pobres, com falta de infra-estruturas e onde o conhecimento, o “know-how”, e pessoas especializadas fazem falta e são muito valiosas (E são sítios maravilhosos para se ter uma experiência de vida).
Em 2 meses e meio, eu habituei-me a viver com pouco: sinto falta de abrir a mochila e ter à minha escolha 3 pares de calças e 5 t-shirts.


Tenho saudades de ir para a montanha onde não há internet, electricidade, iphones.
Nós, na Europa, somos muito "mimados" e preocupamo-nos constantemente com coisas com as quais nem devíamos perder tempo a pensar. A meu ver, mais grave que a crise económica e financeira, é a crise de valores que atravessamos, e acho que experiências como a que eu tive nesta viagem ajudam a relativizar certas coisas e ajudam a encontrar o nosso centro.
Ando a ler um livro chamado Spark your dream de Candelaria & Herman Zapp e acho que esta passagem resume bem o que eu pretendo ilustrar:
"Gula, do you know why the condors can fly and we can't?" I ask him
"Because they possess wings. We instead have hands that we want to fill with many things that don't let us fly."

Esta viagem mudou-te, como pessoa?

Sim, mudou. Eu saí de Londres em Outubro de 2012 a pensar que ia voltar para lá no início de 2013 e retomar a minha vida.
A viagem fez-me perceber que não quero a minha vida de Londres como ela era.
Fez-me perceber certas coisas acerca de mim que eu desconhecia. Aliás, acho que qualquer pessoa que faz este tipo de viagem descobre coisas sobre si mesmo e volta diferente.
É impossível voltares igual.

Regressas a Portugal e ingressas num curso de fotografia, revês amigos, vives o Agora….e planos para o futuro?

Neste momento não tenho planos para o futuro.
Estou a fazer um curso de fotografia, pois sou muito amadora e uma das minhas resoluções de Ano Novo (influência londrina a fazer resoluções de “próximo ano”) foi aprender e desenvolver a técnica. Estou a fazer voluntariado no IPO.
Estou a aproveitar para estar com os meus amigos (alguns que não via há anos!!!
Estou a redescobrir a minha cidade, o Porto, que adoro.
Estou a pensar no meu futuro.
A pesquisar.
Estou a escrever um livro sobre a minha viagem.
Estou a viver um dia de cada vez e não me vou precipitar a tomar decisões, pois é importante arriscar e procurar ser feliz.

E o que te faz SER Feliz?

Eu sou feliz com uma máquina fotográfica na mão.
Eu sou feliz no meio dos meus amigos e da minha família.
Eu sou feliz com um livro e um café ou um chá ao lado.
Eu sou feliz a escrever.
Eu sou feliz a amar.
Eu sou feliz a entrar num avião e IR… 

Obrigada, Joana….iremos cruzar-nos, certamente, em próximas viagens….