quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

...Ana Vasconcelos... The Voice...


Estamos em Dezembro e o Natal aproxima-se de uma forma muito rápida… são dias em que os afectos, os mimos, os presentes, os postais, as músicas… nos trazem mais calor e, por isso (e também por outras razões) decidimos descer do Porto a Cascais para falar com a Ana Vasconcelos… uma mulher de corpo inteiro, com uma alma imensa e uma voz quente, que nos transporta até onde o sonho nos levar.

Muitos serão os leitores que ainda se lembram dela nos programas de Júlio Isidro, ao domingo à tarde, no canal 1, ou mesmo nos Shout…

A quem a memória não deixar ir tão longe no tempo e no espaço, relembro que, ainda está muito presente a participação da Ana no The Voice Portugal, e da sua filha, Mariana Bandhold, também…

Para que não falte nada no embalo da preparação para duas das Festas mais aguardadas do ano, brindamos os nossos leitores com uma entrevista muito especial… traz Paz, Amor e um infinito de experiências e possibilidades para acreditarmos num mundo melhor…


Ana, lembro-me muito de ti nos Shout (há uns anos atrás) e nos Programas do Júlio Isidro, ao sábado à tarde, onde cantavas com outros cantores, como a Vera de Vilhena… desde aí até à Família Superstar… nunca mais se viu a Ana a cantar na televisão… deixaste de aparecer na caixinha mágica ou fizeste uma pausa nas canções?

Fiz uma pausa nas canções para fazer teatro e trabalhar com o Filipe lá Féria nas peças musicais “My fair Lady” e “Musica no coração”. Foi uma experiência extraordinária! Adoro o Filipe lá Féria é um grande encenador, ensinou-me muitíssimo… espero um dia voltar a fazer teatro.

Estudaste canto, dança e Gestão Hoteleira… toda tu és Arte e Sensibilidade… Gestão Hoteleira, porquê? J
O mundo do espetáculo é fantástico, mas muitas vezes temos de saber viver uma vida insegura e instável… Na altura pareceu-me muito importante ter também um curso numa área mais segura para me apoiar.
Como defines esta tua última “aparição pública” como concorrente do The Voice Portugal? Achas que, apesar da tua curta passagem pelo programa, te poderá ter aberto portas para te lançares noutros voos e arranjares novos projetos nesta área?
Estou sempre atenta aos pedidos do meu coração e por isso decidi participar no the Voice Portugal 2015. Defino esta participação no The Voice como uma honra para com o meu coração. Quero muito voltar a cantar e acredito que esta participação me vai ajudar a voltar aos palcos novamente.
Quem achas que poderá ganhar? De quem te tornarias “madrinha”?
Este concurso tem vozes fantásticas, será sempre, com toda a certeza, uma escolha difícil tanto para o público como para os mentores. Eu particularmente escolheria a Deolinda e o Ricardo Manuel pelas fantásticas vozes que têm e sobretudo pelas qualidades humanas que cada um têm.
O pai da tua filha Mariana, morreu repentinamente como voluntário no Iraque…. A fragilidade deixada com a sua partida tornou-te numa pessoa mais forte? Como lidaste com a dor? Como ajudaste os teus filhos a superar/ aceitar esta perda?
Tornou-me me mais forte sem dúvida porque a dor mostrou-me a minha força, uma força que desconhecia. Aguentamos sempre mais do que pensamos. Penso que não são as coisas que nos acontecem que importam, mas sim o que fazemos com o que nos acontece. O modo como reagimos à adversidade na vida faz toda a diferença no drama ou na comédia que estamos a criar para nós. Fiz da minha dor a minha força. Na minha humilde opinião a dor tem dois lados, o sofrimento e a aprendizagem. Quando decidimos enfrentar e ouvir com coragem a nossa dor, ela ensina-nos. A dor é professora e foi isso que ensinei aos meus filhos. Ensinei-os a aceitar, a sentir e ouvir, a não fugir, a enfrentar e a criar algo de bonito com ela. Quando transformamos a nossa dor em algo de belo a cura aparece e o luto termina. A minha filha escrevia música, o meu filho poemas… é importante exteriorizar a dor. É tão importante senti-la como transmutá-la em amor… este transmutar em amor que a dor nos proporciona pode ser milagroso para a nossa vida. Ao transmutar a minha dor, consagrei-a num livro ou melhor numa trilogia… Esta minha trilogia que se chama o código ANGEL 22, sairá em Março o primeiro volume e surgiu da minha aprendizagem e crescimento com a dor.
Ana e os dois filhos
A espiritualidade é um caminho que nos fortalece?
Sem dúvida que sim! Espiritualidade para mim é bem diferente de religião. Sinto que nós não somos este corpo, mas sim o espirito que o nosso corpo transporta. E a espiritualidade é a conexão com o nosso espirito. O nosso espírito poderá levar-nos muito longe, se nos focarmos e se soubermos ouvi-lo com atenção, se nos soubermos afastar das limitações materiais…A dor, a perda, o insucesso… são pedidos de conexão.
“Esta tatuagem simboliza a trindade, o espírito-círculo, a alma-triângulo  e corpo-quadrado. Somos todos uma unidade tripartida e abordo este tema no meu livro, que sai em Março de 2016" AC Vasconcelos
Sei que, neste momento, estás ligada à Medicina Quântica e ao auto-conhecimento… qual o teu papel? O que fazes? Como ajudas os outros?
Em 2011 tirei mais um curso, um curso de medicina quântica e cromoterapia, porque percebi que a minha paixão para além da música é também ajudar os outros. Ajudar na dor, no desespero, no sofrimento…sinto que é algo que faço naturalmente. Trabalho com grupos e faço terapias individuais de medicina quântica.
Nos trabalhos de grupo ajudo exatamente nesta procura da essência, e conexão com espírito. Nos trabalhos de medicina quântica tento curar quadros energéticos, emocionais, mentais  e algumas vezes físicos também, através do alinhamento das frequências, através da vibração, da cor, do som, da criatividade…



O Benfica é uma paixão? O que te leva ao Estádio? O que mais aprecias num jogo de futebol?
É uma paixão o Benfica, sem dúvida! O que me faz vibrar no futebol é o poder da união. Já reparam como num estádio os adeptos de um club não reparam nas diferenças de classe social, nem da cor da pele e são todos uma família. Para mim é isso que a raça humana é uma grande família. No mundial de 2004 quando Portugal ganhou à Holanda fomos todos para a rua festejar e toda a gente se abraçava e vibrava como uma grande família. Foi tão bonito ver essa união de Portugal, gostava que fosse sempre assim… e um dia será com certeza. Não perco a esperança num mundo melhor. Tento contribuir para isso com o meu trabalho e com aminha música, procurando sempre semear o amor, a paz.
Que melhor palavra te define?
Amor
E se fosses uma canção? Qual escolherias?
Esta pergunta é muito difícil, mas talvez: “Music was my first love” ou “Ennio Morricone - Cinema Paradiso” ou “Nella fantasia”

Como é o teu dia? Como preenches as tuas 24 horas?
Procuro todos os dias dar o melhor de mim, agir com amor e com verdade em tudo. O meu dia divide-se entre ser mãe, terapeuta e escritora, em trabalhar com música e ir ao ginásio. Tento apoiar quem posso pelo caminho e procuro trabalhar sempre o maior amor e verdade. Tento praticar diariamente a gratidão, tenho um caderno diário onde todas as noites agradeço as 5 coisas que mais gostei no meu dia. Aprendi a fazê-lo com a Oprah Winfrey, e adoro porque obriga-me a conectar com as coisas boas da vida, mesmo nos dias que não me correm tão bem. E a verdade é que por pior que seja o nosso dia, existem sempre motivos para agradecer. Temos sempre o poder de escolher, o nosso foco, ou nos queixamos ou agradecemos. A vida é fantástica para quem está focado nas estrelas e não na lama.
“Dois homens olham pela mesma janela. Um vê a lama. O outro vê as estrelas.” Frederick Langbridge
O que é que mais gostas de fazer? Viajar, ler, estar com os amigos?
A música anda sempre atrás de ti ou vive dentro de ti?
Viajar é das coisas que mais gosto na vida, sem dúvida. Voltamos sempre diferentes e renascidos de uma viagem. Jantares em família e com amigos são outra coisa que amo fazer. Os meus amigos são muito importantes na minha vida e sempre que eu posso junto-me com eles. Adoro também estar sozinha, meditar, ler e ouvir música, passear na natureza, abraçar uma árvore… fazer algo que me conecte com o meu espirito, com a minha essência. Gosto muito de cinema. Quanto à música, ela acompanha-me para todo o lado onde vou, tenho um Ipod com a minha seleção musical preferida que não dispenso ter sempre na minha mala.
Li, algures, que a tua cantora nacional preferida é a Ana Moura. Porquê? J
Pela alma que apresenta ao cantar.
Livros e filmes da tua vida…
Livro: o Alquimista e qualquer livro de Fernando Pessoa.
Filmes: O tigre e a neve. Favores em cadeia. Cor púrpura. Interstellar. The pursuit of Happiness.
O que é que a tua casa diz de ti?
Que sou serena e simples.


O que te faz SER Feliz?
Os meus filhos...Conhecer-me cada vez melhor e Ser eu mesma. Estar em paz comigo mesma em cada decisão. Respeitar quem sou e agir sempre com a verdade do meu coração, impendentemente dos resultados.
Obrigada Inês, espero ter ajudado. Beijinhos
Obrigada, eu, Ana… pela recepção, pelo carinho, pela entrega e imensidão de que és feita.
Aos leitores do Conversas Felizes, desejo um Santo Natal e um Novo Ano cheio de Saúde e projectos concretizáveis. Que o caminho seja de força e esperança!
As músicas que se seguem, são para vocês…
Bem-hajam por estarem desse lado!
Tributo de Ana Vasconcelos a Michael Jackson, que considera um dos artistas mais talentosos de sempre…
Com a filha, Mariana…”Contigo en la distância” de Christina Aguilera
“When you believe”… um embalo poderoso que merece ser partilhado…
“Penso que não são as coisas que nos acontecem que importam, mas sim o que fazemos com o que nos acontece.” AC Vasconcelos
 Inês Monteiro

domingo, 13 de dezembro de 2015

Bárbara Guerra Leal...uma cientista portuguesa, com certeza...




Num país, onde a ciência é tão maltratada ( e os bolseiros também), a jovem Bárbara estuda, com alma e coração, uma doença que afecta milhões no mundo inteiro... um mundo, para muitos, desconhecido e imenso de ciência, comportamentos, presenças e ausências.
Querem espreitar o universo desta cientista dedicada à epilepsia?

Comecemos pelo início... o que é a epilepsia?

A epilepsia é a doença neurológica mais frequente em todo o mundo afectando 4-6 em cada mil habitantes num total de mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Estima-se que haja cerca de 50 novos casos por 100 mil habitantes por ano. A maioria destes casos surge em países subdesenvolvidos. Esta doença afecta pessoas de todos os sexos, idades, raças e classes sociais. O termo epilepsia designa um grupo de síndromes que se caracterizam pela ocorrência de crises epilépticas recorrentes. Estas crises surgem quando há desequilíbrio na actividade cerebral. Em situações normais, os nossos neurónios são excitados para que haja transmissão de uma “mensagem” que nos faz responder a determinado estímulo do meio e que se manifesta numa determinada acção do nosso organismo, por exemplo uma contracção muscular. Mas depois de essa mensagem ser transmitida, os neurónios são inibidos para que não haja uma estimulação em excesso. Numa crise epiléptica estes mecanismos de excitação e inibição estão desregulados fazendo com que haja uma “híper-excitação” neuronal ou seja uma “hiperactividade” (digamos assim) celular.  Esta actividade elétrica neuronal altrada é breve, surge repentinamente e pode afectar momentameamente a maneira como a pessoa se move, se comporta ou se sente. 
 
Nasce-se epiléptico ou podemos tornarmo-nos epiléticos?
Pode nascer-se epiléptico, por exemplo epilepsias originadas por malformações corticais. Ou uma pessoa pode tornar-se epiléptica, por exemplo epilepsias que se desenvolvem após um traumatismo crânio-encefálico. Eu acredito, no entanto, que mesmo nestes casos tudo depende da nossa constituição genética (que nasce connosco) que condiciona toda a resposta do nosso organismo ao ambiente que o rodeia.
Bárbara junto da imagem de um neurónio, em Paris.
 
Existem vários tipos de epilepsia? Mais perigosas e menos perigosas?
 
Sim existem diferentes tipos de epilepsia. As epilepsias podem ser classificadas segundo a causa – metabólica, imune, estrutural, genética ou de causa desconhecida – e podem ainda ser classificadas de acordo com a localização da crise – generalizada (afecta ambos os hemisférios cerebrais), parcial ou focal (em que a actividade anómala se restringe a um região cerebral). As crises parciais podem ser simples em que não há perda de consciência mas as pessoas podem ter movimentos espasmódicos de uma parte do corpo ou auras sensitivas, epigástricas, olfactivas ou emocionais como por exemplo um medo inexplicado. Esta manifestação variada depende da área cerebral afectada. Nas crises parciais complexas a pessoa parece consciente mas está “irresponsiva” com um olhar distante ou movimentos rítmicos repetidos. As crises tónico-clónicas generalizadas são das mais perigosas. Nestas crises há contração simultânea de todos os músculos durante um curto período de tempo podendo haver perda de consciência e até paragem respiratória. Esta contracção é seguida de movimentos espasmódicos. A seguir a esta crise pode haver momentos de confusão mental e sonolência com dores de cabeça e dores musculares. Algumas pessoas têm crises tipo ausências com breves momentos de perda de consciência podendo haver movimentos rítmicos repetidos ou apenas olhar vazio e o retorno ao estado normal acontece rapidamente.
 
O diagnóstico da epilepsia é fácil? As pessoas podem estar atentas a determinados sinais?
 
O diagnóstico de epilepsia é essencialmente clinico com recurso a meios complementares como o electroencefalograma (EEG), a ressonância magnética (RMN) ou a tomografia axial computurizada (TAC). Convém referir que cerca de 10% da população mundial pode ter uma única crise epiléptica na vida devido aos mais variados factores como hipoglicemia, drogas ou outros. Estas pessoas não se consideram epilepticas. Para haver o diagnóstico de epilepsia tem que haver a ocorrência de pelo menos duas crises epilépticas “não provocadas”. De qualquer forma sempre que uma pessoa apresente algum destes sintomas, ou tenha uma crise o mais aconselhado é consultar um neurologista que depois o encaminhara para fazer os exames adequados.
Como deve agir quem está perto de um familiar, ou amigo, quando tem uma crise?
Primeira coisa é não entrar em pânico. Se for o caso de uma crise tónico-clónica generalizada deitar a pessoa e colocar um casaco, a mão ou algo para proteger a cabeça de bater no chão ou objectos, Quando a convulsão acabar colocar a pessoa na posição lateral e alargar a roupa à volta do pescoço. É importante que não se se dê de beber, nem se coloque nada na boca do doente durante a convulsão. Não se deve tentar acordar nem levantar nem forçar a pessoa a ficar quieta. Deve sempre acompanhar a pessoa até que a consciência seja recuperada e a respiração volte ao normal. Em casos de auras ou ausências deve-se proteger o doente de algum perigo iminente e ficar com ele até recuperar a consciência. Quando não se sabe o que fazer, se as crises durarem mais de 5 minutos, se houver muitas crises repetidas sem recuperação de consciência entre elas ou se for a primeira crise da pessoa deve-se ligar para o 112 ou para a linha saúde 24.
Que estilo de vida se pode/ deve recomendar a um epiléptico? É sabido que, o descanso é essencial, certo? Alguns cuidados a ter?
O descanso é muito importante sim. É importante ter um sono de qualidade e em quantidade em horários regulares. E depois ter um estilo de vida saúdavel como uma alimentação equilibrada. Em casos de crises causadas por factores externos (como vídeo-jogos ou luz) evitar esses factores. E ter sempre muito cuidado com a medicação. É fundamental fazer sempre a terapêutica como receitado pelo médico.
 
A que tipo de congressos vais?
Vou a congressos de diferentes tipos nacionais e internacionais. Vou a congressos de neurologia mais voltados para a parte clinica mas que dedicam uma parte das suas sessões à parte de investigação mais básica e vou também a congressos de genética.
Posters da Bárbara, num congresso, em Londres.
 
 
Em que país, a investigação nesta área, se encontra mais avançada?
Há grupos muito bons e de referência em vários países como a Holanda, Inglaterra, Estados Unidos. Uma coisa que se tem vindo a verificar, e ainda bem, é que estes grupos têm colaborado em grandes investigações conjuntas. O grupo de investigação de que faço parte foi já convidado a participar num grande estudo genético que envolveu vários países europeus e que era liderado por um grupo de Londres. É importante começar-se a perceber que estas investigações conjuntas é que nos vão permitir avançar no conhecimento da epilepsia. Estas colaborações são sem dúvida fundamentais.
 
Como vai a saúde da investigação em epilepsia, em Portugal?
Vai mal, infelizmente… e o problema é que não é só a área da epilepsia afectada mas sim toda a investigação científica. Houve muitos cortes nos apoios que o estado dá à investigação. Cortaram fundos aos institutos, diminuíram o número de bolsas para doutorandos e pós-doc. E cá não há como existe, por exemplo nos Estados Unidos, mecenas ou apoios privados. Tirando poucos e raros apoios de indústrias farmacêuticas e de pequenas bolsas atribuídas, por exemplo pelas ligas de cada doença, o grande financiamento da ciência em Portugal vem do Estado. E com estas medidas que estão a ser tomadas está cada vez mais difícil fazer investigação científica em Portugal.
 
Há cura para a epilepsia?
Neste momento, não. A cura implica que se saiba qual o mecanismo que leva ao desenvolvimento de epilepsia e qual a sua origem e isso não acontece na maioria das epilepsias. O que se consegue é controlar as crises epilépticas com medicação. Esse controlo das crises é conseguido em cerca de 70% dos doentes e há até casos de doentes que ao fim de vários anos podem deixar de tomar medicação. Os cerca de 30% dos doentes que não respondem à farmacoterapia (refractários) outras opções terapêuticas como a electroestimulação, a aderência à dieta cetogénica (rica em gorduras e quantidades reduzidas de hidratos de carbono e proteínas) ou a cirurgia podem ser consideradas. Claro que tudo depende das características das crises epilépticas e dos doentes em questão (e isso é uma área clinica na qual não expert). Por exemplo nem todos os doentes são candidatos a cirurgia. E mesmo depois da cirurgia (em que é removida a área em que se verifica a actividade celular anormal) é necessário que os doentes tomem medicação pelo menos durante algum tempo.
 
Na pesquisa que fiz sobre este tema central da nossa conversa, encontrei informação sobre a Associação Portuguesa de familiares, amigos e pessoas com epilepsia. Quão importante poderá ser para um doente, ou familiar, juntar-se a uma associação que atua no âmbito do voluntariado, serviço social, consulta de psicologia, grupos de ajuda mútua?
Na minha opinião é essencial que as pessoas, doentes, familiares e amigos mais próximos, se informem bem sobre o que é a epilepsia, como actuar, quão importante é tomar a medicação e fazer a terapêutica adequada. Muita dessa informação é transmitida, claro, pelo médico e equipa que seguem esses doentes. Mas, pelo menos para mim, é importante as pessoas fazerem parte de uma liga ou associação de doentes. Estas associações, além do apoio logístico que podem dar, são muito importantes para os doentes e familiares perceberem que não estão sozinhos. Para poderem partilhar experiências e poderem contar a sua história.
 
Tens algum feedback da marginalização social perante os doentes epiléticos como, por exemplo, no emprego?
Eu não contacto directamente com os doentes e como o trabalho que desenvolvo não tem muito a ver com dados psicossociais não te posso dizer muito sobre isso. Sei que os doentes mão podem exercer todo o tipo de profissão. Por exemplo as que envolvem manuseamento de máquinas ou condução são mais difíceis de ser exercidas por doentes epilépticos. Isto por questões de segurança não só de terceiros mas também do próprio doente. Sei também que a taxa de desemprego e muito superior nestes doentes comparativamente à população em geral. Mas de resto não te sei dizer mais nada…
A “Epilepsia é mais do que ter crises”?
Sem dúvida que sim, é muito mais do que isso. E esse é precisamente o tema lançado pela liga internacional contra a epilepsia (ILAE) na companha de 2014/2015. E esta frase pode ter duas interpretações. Por um lado temos os doentes que têm a epilepsia controlada com medicação diária e que aos poucos começam a retomar as suas actividades quotidianas. No entanto, estes doentes vivem na angústia da possibilidade de ocorrência de uma nova crise epileptica. Para estes doentes “epilepsia é mais do que ter crises” significa que há vida para além das crises epilépticas. Por outro lado temos os casos mais graves que são os que não são controlados com medicação em que “epilepsia é mais do que ter crises” nos leva a perceber que associado às crises epilépticas existem alterações noutras áreas por exemplo cogniticas, sociais e comportamentais. Este grupo de doentes tem maior índice de morbilidade e mortalidade
 
Sendo tu, uma “menina das ciências”, consegues divagar pela literatura e outras artes? Que mais te preenche para além da ciência? Fala-me das tuas paixões…
Sim tem que haver tempo para tudo. E passarmos tempo a fazermos outras coisas que gostamos ajuda-nos, penso eu, a sermos melhores pessoas e consequentemente a sermos melhores investigadores. A ciência é o meu trabalho mas é também uma paixão que se completa com outras. Gosto muito de fotografia e de cinema (não me considero cinéfila mas sim uma viciada :p é uma boa maneira de por algumas horas conseguirmos fugir à realidade) Adoro viajar: ter contacto com outras culturas e costumes, visitar locais com que sempre sonhei, ver in loco imagens que se conhece só de postais ou de livros… é indiscritível e um prazer imenso. Mas também adoro passear pelo ”meu Porto” com as suas ruas encantadoras. As leituras é que não andam assim muito bem apesar de gostar muito de ler (uma outra forma de “viajar”). Neste momento (e é uma vergonha dizer isto) além do necessário para o trabalho, leio muito pouco (cerca de 3 livros por ano). Leio essencialmente livros de suspense, policiais e alguns romances históricos. E também faço algum desporto: com algumas caminhadas e corridas ;)
 
O que te faz SER Feliz?
Faz-me feliz saber que as “minhas pessoas” estão bem, sou feliz quando chego ao fim do dia e sinto que cumpri a minha missão.
Sou feliz quando estou com os meus amigos.
Sou feliz porque tenho a sorte de trabalhar na área com que sonho desde miúda. E se é verdade que, nem todos os dias correm bem, temos que aproveitar os momentos felizes ao máximo e perceber que a felicidade está nestas pequenas coisas que fazem parte do nosso mundo!
Granada
 
Pateira - Aveiro
Bélgica
 
 
 
E é assim que nos despedimos desta cientista... entre o estudo e as viagens.
Dois caminhos felizes a inspirar todo um universo de leitores sedentos de conhecimento.
Obrigada, Bárbara!
 
 
Aos meus leitores, agradeço a fidelidade e as partilhas que têm vindo a fazer com que o "Conversas Felizes" seja, cada vez, mais conhecido.
Até à próxima conversa!
 
 
Inês Monteiro
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

sábado, 18 de abril de 2015

... Raquel Martins, a Psicóloga da Felicidade...






Conheci a Raquel Martins, há um bom par de anos, como paciente das suas consultas.
Juntas, fizemos um caminho paralelo de orientação e aprendizagem, intuição e desbloqueios.
As nossas histórias cruzaram-se no âmbito profissional e, hoje, somos amigas.
Sou fascinada pela sua forma de estar na vida, pelo olhar tranquilo, pela paz que emana, pelos projetos fantásticos que, a qualquer momento, cria, estrutura, planeia e concretiza.
A Raquel é psicóloga num estabelecimento prisional e trabalha na Made in You, onde criou "A Consulta da Felicidade"...
Recostem-se no divã e deixem-se levar por mais uma história de vida interessante e genuinamente feliz...
 
 
O que te fez escolher Psicologia? 
Quando escolhi ser Psicóloga tinha 15 anos. Nem sabia bem o que era ser Psicóloga! Mesmo hoje em dia é sempre uma identidade que construo em parceria com todas as pessoas com quem trabalho.
Voltando aos 15 anos… Era uma adolescente e vi-me forçada a escolher um sentido profissional. Já questionava tudo o que fosse relacionado com o sofrimento humano, a justiça social e a felicidade.
Comecei a perceber que todos temos que fazer constantes escolhas e que essa capacidade determina em grande medida a forma como lidamos connosco e com as consequências dos nossos atos.
Adorava tudo o que fosse relacionado com o desvio (filmes, livros, documentários) e o lado “mais obscuro” do Ser Humano. Adorava conversar sobre a vida e comecei a perceber que todas as pessoas têm o poder de construir ou privar-se da felicidade por responsabilidade própria, através de escolhas e trajetórias de vida que em algum momento se viram envolvidas. Tive bons professores, cruzei-me com bons livros, sempre adorei perceber as causas de tudo.
Escolhi nessa altura que queria entrar na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto e trabalhar num Estabelecimento Prisional. Licenciei-me na área do Comportamento Desviante e da Justiça, com equivalência a Psicologia Clínica e da Saúde em 2007, tendo concluído um Mestrado em Temas em 2009.
Durante os meus estudos académicos e estágios lidei sempre com populações com algum grau de exclusão Social, como prostitutos (as), toxicodependentes, vítimas de crimes, delinquentes juvenis e reclusos.
Atualmente, trabalho no Estabelecimento Prisional do Porto há 6 anos, algo que escolhi com 15 anos! Acredito que quando alimentamos algo na nossa mente e decidimos um caminho a seguir que, inevitavelmente, a vida nos mostra exatamente o que pedimos. E acho que a vontade de ser Psicóloga veio daí, por entender que os nossos pensamentos, emoções e comportamentos são decisivos para determinar sentidos de vida. Ser Psicóloga é um trabalho de construir sentidos e isso sempre me atraiu.
 
 
 
Já fazes Psicoterapia há uns anos e neste momento tens um projeto muito interessante que é a Consulta da Felicidade, na Made in You.
Fala-nos um bocadinho deste sonho tornado realidade. 
Sim, faço Psicoterapia desde 2007. O Made in You nasceu em 2011 e é um projeto ligado à Psicologia e Desenvolvimento Pessoal com vários serviços, nomeadamente Psicoterapias da Criança, Adolescente, Adulto e Idoso, Avaliação Psicológica e Terapia de Casal.
A Consulta da Felicidade é uma intervenção desenvolvida em 2014, mais ligada à área da Psicologia Positiva que retira o foco da doença, para focar nas virtudes pessoais da pessoa, para que ela possa desenvolver capacidades e potencial para atingir objetivos mais adaptados aos níveis de bem-estar que pretende atingir.
A Consulta da Felicidade está dividida em 4 sessões (o Pack Felicidade), realizadas durante um mês, em 4 semanas consecutivas: Forças, Reflexão, Planeamento e Ação.
Qualquer pessoa pode solicitar este serviço. Mesmo aquela que apenas pretenda conhecer-se melhor. Normalmente, numa consulta inicial a pessoa é aconselhada sobre a melhor terapia no seu caso.
Podem também solicitar gratuitamente o “Rastreio da Felicidade” que é uma atividade de aconselhamento.
 
 

Tem tido resultados muito interessantes, porque ajuda na tomada de consciência e reflexão acerca dos eventos de vida mais traumatizantes e que criam uma forma de funcionamento específica. Todas as sessões vão no seguimento de criação de estruturas de vida mais saudáveis que promovem melhorias significativas no bem-estar subjetivo de cada um.
Por outro lado, tem sido um desafio interessante, pois é uma forma de empreendedorismo na Psicologia e desmistifica a ideia de que só vai ao Psicólogo quem “está maluco” ou “doente”. Claro que cada vez mais as pessoas estão mais informadas e eu sou daquelas que defendo que todas as pessoas, tal como têm um médico de família, poderiam ter desde logo acompanhamento psicológico. O Auto-conhecimento ajuda no entendimento de estados e emoções e na sua gestão mais equilibrada para que, dessa forma, tudo o que a pessoa concretiza e faz está mais relacionado com o que realmente lhe faz bem.
 
 
Achas que hoje em dia as Pessoas estão preocupadas em ser Felizes? 
Acho que preocupação anula a Felicidade J. Aparecem pessoas realmente preocupadas com o seu bem-estar e com vontade de se ocuparem com a sua Felicidade.
A maior parte dos casos estão relacionados com ansiedade, com dificuldade em gerir o tempo, os papéis, por problemas financeiros, relacionais, por luto, eventos traumáticos e quadros depressivos.
Acho que a Sociedade promove uma série de distrações e “hipnotismo social” e que, a certa altura, as pessoas ficam desorientadas, sem saber muito bem onde estão. O trabalho é fazer com que consigam desenvolver um olhar mais interno e que descubram que o estado de Felicidade depende muito mais dessa descoberta em primeiro lugar, do que qualquer situação que aconteça externamente. É como um mecanismo que se retroalimenta. Se eu estou bem, tudo à minha volta estará também muito melhor.
Mas esse estado de impaciência perante a vida, a não resignação perante a adversidade e a vontade de melhorar sempre está cada vez mais presente nos Portugueses que procuram este tipo de intervenção para o seu desenvolvimento pessoal.
 
No teu caminho, a par deste projeto, trabalhas com reclusos em estabelecimento prisional…. Como abordas a felicidade em pessoas que estão privadas da liberdade? 
As pessoas que se encontram privadas de liberdade por incumprimento legal são, obviamente, pessoas que são mais do que o crime que cometem. São pessoas que têm família, um trajeto próprio de vida, uma identidade e que têm muito mais de semelhante do que de diferente, comparativamente aos que não estão privados de liberdade, pelo menos física. Porque há muita gente privada de liberdade, mesmo sem o estar, efetivamente, intramuros.
O trabalho que normalmente desenvolvo tem a ver com a tomada de consciência do crime e das causas da reclusão, a responsabilização, a aceitação e adaptação ao contexto. Porque quem está privado de liberdade está constantemente a lidar com a frustração e com a aparente perda de identidade. O apoio pretende a gestão dos sentimentos de culta, revolta, estados agressivos. Claro que há uma infinidade de casos. E nem todos podem ser abordados da mesma forma e os resultados dependem muito da motivação do indivíduo e da sua trajetória anterior. É bastante complexo ser-se Feliz preso.
O importante é saber que o sofrimento existe e a sua gestão depende da atitude mental e da descoberta das causas e de si mesmo. O ser humano precisa aprender a capacidade de adaptação aos contextos e às vezes isso leva o seu tempo e a terapia passa por diversas fases. De avanços e recuos, de sucessos e fracassos. A Felicidade posso chamar-lhe aqui como a capacidade de adaptação e resistência perante a adversidade. Um ser adaptado sente-se melhor, do que aquele que luta contra a realidade. Um ser adaptado mais facilmente se inclui, sem perder a sua identidade própria. No fundo, a liberdade constrói-se.
 

Quão desafiante é para ti, trabalhar com pessoas que estão fechadas, “castigadas” e com anos de reclusão pela frente? Como trabalhas os sonhos dessas pessoas? 
O trabalho é feito no sentido que a pessoas não percam a capacidade de sonhar ou que constantemente reconstruam um sentido e quadro de referência e isso depende de vários fatores.
Construir sonhos é dar sentido, desafiar-se, ter objetivos. Se isso não acontece os estados depressivos reativos à situação instalam-se e as ideias suicidas aumentam.
Considero fundamental fazer desenvolver competências pessoais e sociais, melhorar a auto-estima, aumentar a prática de desporto. O equilíbrio pelos dias pode já ser um sonho! Quanto melhor estiver agora, mais apto estarei para viver um outro sonho em liberdade.
 
Há uma continuidade do trabalho que fazes na prisão, nas consultas do Made in You, ou são espaços e assuntos de cariz diferente? 
Digamos que é tudo diferente e tudo igual. Porque um Psicólogo sempre trabalha com um indivíduo na sua circunstância própria, independentemente do modelo de intervenção que utiliza ou local em que está.
No Estabelecimento Prisional do Porto trabalho com uma equipa multidisciplinar e  realizo terapias de Grupo em Programas de intervenção específicos, como ligados à Toxicodependência e Prevenção do Suicídio. Aqui as intervenções em crise são mais frequentes, comparativamente à Clínica Made in You, em que as marcações e atendimentos são mais estruturados.
 
Na Made in You já fizeste um workshop de Meditação que foi um sucesso…
Que impacto pode ter a meditação diária, nos dias corridos que todos levamos? 
A Meditação pode ter impacto a todos os níveis (físico e psicológico). É um momento de Ação consciente – MeditAÇÃO, em que a pessoa vai Ditar algo a si própria sobre o que se passa no seu mundo interno (Vou me ditar algo, digamos assim). É apenas um exercício de concentração que auxilia no processo de auto-conhecimento e consequente cura.
Existem benefícios psicológicos como: melhoria na qualidade do sono aumento dos níveis de concentração, permite a identificação e controlo mais eficaz sobre as emoções perturbadoras, como a raiva e a ansiedade, apreciação mais profunda do presente que é uma dádiva, maior controlo dos pensamentos e melhoria da comunicação entre os níveis consciente e inconsciente.
Existem várias técnicas que podem ser utilizadas na prática da Meditação e que é muito útil aprendê-las. Todas as pessoas podem meditar e não precisam pertencer a nenhum movimento oriental para tal. A Meditação como prática Ocidental já existe há muitos anos e pode perfeitamente ser praticada na nossa cultura como um método terapêutico também extremamente eficaz.
 

Para quem não fez o Workshop, por onde começar? 
Pode começar agora mesmo! A Meditação não necessita de ser praticada apenas num local isolado, com posições específicas. Pois bem, para quem quer começar pode apenas focalizar neste momento a sua atenção para si e auto-observar-se como se fosse um elemento neutro que apenas observa o que se passa. Pode questionar-se: O que estou a fazer neste momento? Quais são as minhas sensações físicas neste momento? Qual é o meu estado mental neste momento? Como estou a viver? Até que ponto tenho domínio sobre a minha vida? Isto já é meditar.
Pode também sentar-se confortavelmente num local onde saiba que não vai ser interrompido (a), numa posição confortável, com uma música que seja do seu agrado e começar a concentrar-se nos movimentos respiratórios, através da respiração abdominal. Existem centenas de exercícios respiratórios.
Pode simplesmente contemplar um objeto, um ser vivo e perceber o que o mesmo lhe transmite. Pode focar num tema que considere curativo, virtuoso e simplesmente canalizar o pensamento para palavras e sensações relacionadas com esse tema, reforçando para si o estado que quer atrair.
Para dar continuidade é preciso que se pratique, enquanto se caminha, em casa, no trabalho, a conduzir, na natureza, em qualquer local! Quanto mais for repetida mais os benefícios começam a sentir-se e, a partir de certa altura torna-se uma prática tão natural como alimentar-se ou dormir.
 
Tu és uma “nascente” de boas ideias… Qua projeto podes partilhar connosco que vás implementar a curto/médio prazo? 
Obrigada J. É verdade, existem centenas de projetos que podem ser implementados!
A médio prazo gostaria de iniciar um grupo de Meditação semanal, desenvolver mais workshops relacionados com a gestão emocional e stress e coach individual.
Penso também num projeto mais alargado a nível Nacional com algumas valências de intervenção em crise. Este mais a longo-prazo. 
Quem quiser fazer uma consulta contigo, onde pode recorrer? 
Basta marcar consulta ou solicitar esclarecimento de dúvidas através do 91158258 ou ceder a www.madeinyou.pt. Podem também acompanhar as novidades no facebook: https://www.facebook.com/madeinyou.pt?ref=ts&fref=ts  Likes, likes likes !
A Made in You fica na Rua Serpa Pinto, nº 10, 2º andar, no Porto, no Edifício da Farmácia Barreiros.
 
Nunca pensaste em escrever um livro? São tantas as pessoas a publicar livros na área comportamental e de auto-ajuda? Nunca surgiu algo diferente neste formato? 
Já pensei sim e já tenho algumas ideias inovadoras nesse aspeto. Aguarda novidades! Dois anos no máximo J
 
O que te faz ser Feliz? 
Simplesmente estar em contacto com aquilo que eu Sou para optar e escolher de acordo com isso mesmo J.
Não faço depender a minha felicidade de acordo com o que eu posso repentinamente perder, porque inevitavelmente perderei tudo um dia. Posso sentir-me triste por vezes, alegre outras vezes, mas tento também não me identificar com estados passageiros, porque é o que são.
Sou otimista e se imagino algo no futuro, estou já a visualizá-lo agora.
Posso dizer que me sinto uma pessoa Feliz, mais ainda se vir os outros também assim.
 
Gostei muito de responder a esta Entrevista, extremamente bem estruturada e transportou-me ao meu passado, presente e futuro. Extremamente terapêutico! Obrigada Inês e Parabéns pelo projeto!
 
Espero que, depois desta conversa, se sintam preparados para mudar as vossas vidas para melhor... seja através de auto-análise, meditação, prática de Yoga, frequência de workshops ou, mesmo, arriscando uma destas consultas como desafio e barómetro do estado do caminho de cada um.
 
Raquel, muito obrigada... pela entrevista, por estares sempre aí...
Conta comigo para o grupo de meditação semanal...
Embora seja uma prática diária minha, em grupo, a energia é potenciada e o equilíbrio que cada um consiga alcançar é, por certo, ainda mais enriquecedor.
 
Caros leitores e amigos, obrigada por estarem aí e apoiarem este meu projeto de Conversas Felizes... prometo uma nova conversa igualmente interessante para muito breve...
Até lá!
 
Inês Monteiro